Mas a linguagem técnica tem limites quando utilizada na comunicação com os leigos. Vejam o caso dos médicos. Muitos deles, ao prestar informações ao público sobre o estado de saúde de pacientes famosos, lançam mão de uma linguagem incompreensível para a grande maioria da população. Aliás, a associação entre conhecimento e capacidade de comunicar-se em linguagem inteligível tem realçado o prestígio de médicos com essa qualidade, especialmente pela via da televisão. O exemplo vale também para o caso dos economistas e dos jornalistas especializados, quando nos guiam pelos labirintos da economia e das finanças. (Boris Fausto. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/quentes/ 9727/juridiques. Adaptado.) Acerca do fragmento alterado em relação ao original, pode-se afirmar que:
- A)A alteração em relação ao texto original teve como resultado a expressão de frases fragmentadas.
Errada, porque o problema não é de frases fragmentadas, e sim de divisão do argumento em parágrafos.
- B)É possível reconhecer a fragmentação em vários parágrafos do desenvolvimento de uma mesma ideia-núcleo.
Certa, porque o fragmento apresenta a mesma ideia central distribuída em vários parágrafos, com desenvolvimento fragmentado.
- C)As ideias mais importantes do texto estão distribuídas de forma equilibrada nos parágrafos apresentados.
Errada, porque não há distribuição equilibrada de ideias distintas, mas repetição e desdobramento de uma única tese.
- D)Os três primeiros parágrafos poderiam ser reunidos em um único parágrafo, o que não ocorre com os dois últimos.
Errada, porque os dois últimos também fazem parte da mesma sequência argumentativa e poderiam, sim, integrar um conjunto maior de parágrafo.
Gabarito: B
A questão trabalha coesão e organização paragráfica: um texto bem escrito não depende só de “ideias certas”, mas também de como elas são distribuídas. Quando o autor separa em parágrafos, ele pode destacar cada etapa do raciocínio, como se fosse abrindo pequenas janelas para a mesma tese. Aqui, o fragmento fala sempre da mesma ideia-núcleo: a linguagem técnica tem limites quando o público não é especializado. Perceba que o texto vai exemplificando essa tese em blocos: primeiro os médicos, depois a comunicação com o público, em seguida a valorização dos médicos que falam de modo inteligível e, por fim, a comparação com economistas e jornalistas. Não há mudança de assunto, mas há uma fragmentação intencional do desenvolvimento da mesma ideia. Por isso, a alternativa B está correta: é possível reconhecer a fragmentação em vários parágrafos de um mesmo desenvolvimento argumentativo. O autor não espalha temas diferentes, ele divide a exposição de um único argumento em partes menores, para dar ênfase e fluidez. Esse tipo de organização é muito comum em textos dissertativo-argumentativos: a tese aparece de forma contínua, mas o parágrafo ajuda a separar exemplos, explicações e conclusões parciais. É quase um “quebra-cabeça organizado”: as peças são várias, mas a imagem final é uma só.