O país onde inflação é boa notícia Ao contrário do resto do mundo, o Japão quer que sua inflação seja mais alta e há anos vem implementando medidas sem sucesso para tentar conseguir isso. De acordo com o Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), os preços globais dos alimentos estão em seu ponto mais alto desde 1990. Neste cenário, o Japão registrou um aumento dos preços ao consumidor de 0,9% em fevereiro, ante 7,9% nos EUA ou 6,2% na União Europeia. No Brasil, a inflação de março anualizada foi de 11,3%; no Chile, de 7,8% em fevereiro; a do México, de 7,2%; e a da Colômbia, de 8,1%; (Argentina e Venezuela registraram 52,3% e 340,4% respectivamente, mas estes são dois casos excepcionais). (Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/04/20/opais-onde-inflacao-e-boa-noticia.ghtml. Acesso em: 21/04/2022.) São considerados reflexos da deflação no Japão, EXCETO:
- A)O crescimento da economia se torna lento.
Certa: a deflação prolongada costuma frear a atividade econômica e deixar o crescimento mais lento.
- B)Os japoneses são relutantes em consumir a preços mais altos.
Certa: com expectativa de preços menores, as pessoas tendem a adiar compras e ficam relutantes em consumir agora.
- C)As empresas mantendo os preços e os salários nivelados durante anos.
Certa: em cenários de preços baixos ou estáveis por muito tempo, empresas podem manter preços e salários sem grande reajuste.
- D)Com os preços estáveis, os consumidores gastam continuamente; isso causa aumento da margem de lucro das empresas.
Errada: a deflação não estimula gasto contínuo com aumento de lucro; em geral, ela faz o consumidor adiar compras e pressiona as margens das empresas.
Gabarito: D
Deflação é a queda generalizada dos preços ao longo do tempo. Pode parecer boa notícia na hora da compra, mas, na economia, ela costuma acender um alerta: se os preços ficam caindo, as pessoas tendem a adiar consumo esperando ficar mais barato depois. Aí o dinheiro gira menos, as empresas vendem menos e a atividade econômica perde fôlego. No Japão, esse cenário foi tão persistente que o país passou anos tentando gerar um pouco de inflação, como uma forma de estimular consumo e investimento. Quando a deflação se instala, um efeito comum é o travamento da economia: empresas seguram produção, salários ficam estagnados e o crescimento desacelera. Isso aparece nas alternativas A, B e C, que descrevem consequências típicas desse ambiente de preços em queda ou muito estáveis por muito tempo. A alternativa D está errada porque descreve praticamente o oposto do efeito esperado da deflação. Se os preços estão estáveis ou em queda, o mais comum não é haver gasto contínuo e aumento de margem de lucro por causa disso, mas sim o consumidor postergar compras e as empresas terem dificuldade para ampliar lucro. Em termos econômicos, a deflação costuma comprimir margens, não expandi-las. Não há aqui uma regra de Direito, mas sim um conceito clássico de macroeconomia: deflação prolongada tende a desestimular consumo e investimento, o que pode levar a crescimento baixo e até estagnação. É justamente por isso que, no caso japonês, inflação moderada virou quase um remédio amargo, porém necessário.