[...] se não fosse a influência da cultura negra, a civilização ocidental seria muito mais sem graça –para não falar em sem ritmo e sem colorido – do que é, logo, foi bom existirem a escravatura e a diáspora forçada de negros da África. (VERÍSSIMO, Luís Fernando. Silogismos sujos. Disponível em: https://www.extraclasse.org.br/opiniao/colunistas/2011/ 06/silogismos-sujos/. Acesso em: 26/12/2022. Fragmento.) Nesse argumento, Luís Fernando Veríssimo formula uma premissa para chegar a uma conclusão. Essa estrutura caracteriza o argumento como:
- A)Indutivo e válido.
Errada, porque não se trata de indução, já que o texto não parte de casos particulares para uma generalização.
- B)Dialético e válido.
Errada, porque não há debate de teses opostas nem construção em confronto de ideias; há uma premissa seguida de conclusão.
- C)Dedutivo e válido.
Errada, porque o raciocínio é dedutivo, mas a conclusão não decorre de forma logicamente válida da premissa.
- D)Dialético e inválido.
Errada, porque, embora haja tom de confronto irônico, a estrutura não é propriamente dialética.
- E)Dedutivo e inválido.
Certa, porque a frase apresenta uma premissa e dela tenta extrair uma conclusão, mas o encadeamento lógico é falho.
Gabarito: E
Aqui a ideia central é reconhecer a estrutura do raciocínio. Veríssimo parte de uma premissa do tipo: se a cultura negra não tivesse influenciado o Ocidente, ele seria pior. Em seguida, ele tira uma conclusão que tenta soar lógica, mas é claramente irônica: então teria sido bom existirem a escravatura e a diáspora forçada de negros da África. Essa passagem mostra um argumento dedutivo, porque sai de uma premissa para uma conclusão, mas não é um raciocínio válido, pois a conclusão não decorre legitimamente da premissa. Há um salto lógico e, pior, uma inversão moral provocativa feita de propósito pelo autor. Em concurso, vale lembrar: argumento dedutivo é aquele em que a conclusão deveria ser consequência necessária das premissas. Se a ligação entre premissa e conclusão falha, o argumento é inválido. Não basta haver "cara de lógica"; precisa haver sustentação lógica real. No texto, Veríssimo usa ironia para criticar ideias absurdas sobre escravidão e racismo. A frase soa como elogio, mas na verdade expõe o absurdo da conclusão. Então, além de identificar a estrutura lógica, você precisa perceber o efeito de sentido do fragmento. Por isso, o gabarito é E: o argumento é dedutivo, mas inválido, porque a conclusão não se sustenta logicamente a partir da premissa e ainda carrega uma ironia que reforça a crítica do autor.