Em uma situação hipotética, ao corrigir um texto produzido por um estudante do 2º ano do Ensino Médio, o professor de Língua Portuguesa observa a seguinte citação: “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor” (Paulo Freire), iniciando o referido texto. Em razão do exposto anteriormente, adequadamente e observando as competências e habilidades esperadas do estudante, o professor registrou em suas observações:
- A)O plágio não poderá ser empregado em quaisquer textos, incorrendo em violação e apropriação de autoria de terceiros.
Errada, porque plágio não é o simples uso de citação com autoria indicada, mas a apropriação indevida de texto ou ideia de terceiros.
- B)Além da citação, tal como foi feita no texto, existe a possibilidade de que seja elaborada uma paráfrase com base na citação de Paulo Freire, o que não representaria intertextualidade
Errada, porque paráfrase também é uma forma de intertextualidade, e não a nega; ela reapresenta a ideia de outro texto com outras palavras.
- C)A citação poderá ser utilizada desde que seu autor seja citado, tal como foi feito; tal recurso caracteriza a ocorrência de intertextualidade, válida na observação do repertório cultural apresentado.
Certa, porque a citação com indicação do autor é uso legítimo de intertextualidade e demonstra repertório cultural pertinente.
- D)Não é aconselhável iniciar o texto com o emprego do recurso da intertextualidade já que o assunto principal ainda não foi apresentado, ou seja, é necessário que o referente anteceda o recurso da intertextualidade.
Errada, porque um texto pode começar por citação ou outro recurso intertextual, desde que haja coerência e função argumentativa.
Gabarito: C
A questão trata de intertextualidade, que acontece quando um texto conversa com outro por meio de citação, paráfrase, alusão, paródia e afins. Na escola e nas redações em geral, isso é totalmente possível, desde que o uso seja adequado ao gênero e respeite a autoria da fonte original. Ou seja: citar Paulo Freire no início do texto não é um problema, desde que o autor seja identificado corretamente. Isso mostra repertório cultural e domínio de construção textual, algo valorizado nas competências de leitura e escrita. O ponto principal é que a citação direta, entre aspas, com indicação do autor, caracteriza intertextualidade explícita e legítima. Não há plágio quando a fonte é assumida e creditada; plágio seria usar a ideia ou as palavras de outro como se fossem suas. Em provas e em práticas escolares, a presença de repertório sociocultural produtivo é vista positivamente quando contribui para a argumentação. Por isso, a alternativa C está correta: a citação pode ser usada desde que o autor seja indicado, e esse recurso configura intertextualidade válida. As demais alternativas erram ao tratar a citação como algo proibido, sem valor intertextual, ou como algo que só pode aparecer depois do tema principal. O texto pode, sim, começar com uma citação, desde que isso tenha função discursiva e coerência.