Sobre a atividade comunicativa, o linguista Bakhtin afirma que “Para falar, utilizamo-nos sempre dos gêneros do discurso”. Em relação ao citado anteriormente, pode-se afirmar que:
- A)A finalização do levantamento do quantitativo e a classificação dos gêneros textuais só foram possíveis recentemente tendo em vista sua abrangência.
Errada, porque os gêneros do discurso não foram classificados de forma final e fechada recentemente, já que sua variedade é muito ampla e dinâmica.
- B)A partir dos gêneros textuais: narrativo, descritivo, dissertativo, expositivo e injuntivo, pode-se reconhecer os inúmeros tipos textuais que a eles se relacionam.
Errada, porque narrativo, descritivo, dissertativo, expositivo e injuntivo são tipos textuais, e não gêneros textuais.
- C)As práticas comunicativas têm passado por um período de estagnação se considerarmos a defasagem da leitura ativa dos estudantes de acordo com pesquisas recentes.
Errada, porque a alternativa fala em estagnação das práticas comunicativas, mas a perspectiva de Bakhtin destaca justamente a dinamicidade da linguagem e dos gêneros.
- D)A catalogação completa dos gêneros textuais torna-se inviável considerando que, como práticas sociocomunicativas, apresentam como característica marcante forte dinamicidade resultando em novos gêneros textuais.
Certa, porque os gêneros textuais são práticas sociocomunicativas mutáveis, o que torna inviável uma catalogação completa e definitiva.
Gabarito: D
Bakhtin ensina que a linguagem não acontece no vazio: quando você fala, escreve ou responde, você sempre recorre a formas sociais já reconhecíveis, que ele chama de gêneros do discurso. Esses gêneros nascem da vida em sociedade e se moldam conforme a situação, o interlocutor e a finalidade da comunicação. Por isso, eles não são algo parado no tempo, como uma lista fechada de modelos. Na prática, isso significa que os gêneros textuais são muitos, variados e mudam conforme as necessidades comunicativas. Uma mensagem de aplicativo, uma ata, um meme, uma petição ou um vídeo curto são exemplos de como a comunicação cria formas novas o tempo todo. Não dá para fazer um catálogo completo e definitivo, porque a circulação social da linguagem é dinâmica demais. É exatamente essa a lógica da alternativa D: ela acerta ao dizer que a catalogação completa dos gêneros é inviável, já que eles são práticas sociocomunicativas marcadas pela forte dinamicidade e pelo surgimento constante de novos gêneros. Isso está em sintonia com a visão bakhtiniana de que os gêneros são historicamente situados e socialmente construídos. Só um cuidado clássico de prova: narrativo, descritivo, dissertativo, expositivo e injuntivo são tipos textuais, não gêneros textuais. A banca adora essa troca de nomes para ver se você cai na armadilha.