Papoila ou rosa delicada e fina te cobre as faces, que são cor de neve. (Tomás Antônio Gonzaga.) Os versos de Tomás Antônio Gonzaga apresentam uma produção que exemplifica, quanto à versificação, um exemplo de enjambement, em que se observa:
- A)Um efeito de surpresa e ironia.
Errada, porque enjambement não é recurso de surpresa ou ironia, e sim de continuidade sintática entre versos.
- B)Manutenção das cinco sílabas métricas em cada verso.
Errada, porque a questão não trata de manter cinco sílabas métricas em cada verso, mas da passagem do sentido para o verso seguinte.
- C)A utilização da métrica da tradição medieval portuguesa, redondilha maior.
Errada, porque redondilha maior é uma medida fixa de sete sílabas poéticas, e isso não define enjambement.
- D)Continuação do sentido de um verso no seguinte sendo assegurada a métrica.
Certa, porque o enjambement ocorre quando o sentido continua no verso seguinte sem romper a estrutura métrica.
Gabarito: D
Enjambement é quando a ideia iniciada em um verso continua no verso seguinte, sem pausa completa no fim da linha. Em outras palavras, o verso “não fecha a conta” sozinho: ele empurra o sentido para a linha de baixo, e isso cria fluidez na leitura. Nos versos de Tomás Antônio Gonzaga, a construção mostra exatamente isso: a frase atravessa a quebra de verso, mas a organização métrica é preservada. Ou seja, a pausa visual do verso não interrompe o andamento do sentido. É o tipo de recurso que faz a poesia caminhar com elegância, sem tropeçar na forma. Por isso, a alternativa D está correta: no enjambement, a continuação do sentido de um verso no seguinte ocorre com manutenção da medida poética. A banca quer que você perceba essa relação entre sintaxe e métrica, e não apenas uma “quebra de linha” qualquer. Se você lembrar dessa ideia simples - sentido escorrendo de um verso para o outro - já mata a questão com tranquilidade. Não é enfeite raro: é um recurso muito usado justamente para dar ritmo, leveza e evitar um fechamento duro ao final do verso.