Os funcionários de uma empresa pediram uma reunião com o empregador para tratar de salários atrasados e de promessas feitas por ele quando os contratou. No meio da reunião, um funcionário fez a seguinte pergunta para o empregador: “O senhor vai cumprir as suas promessas ou o senhor não respeita os seus funcionários?” Na situação hipotética precedente, o papel argumentativo da disjunção presente na pergunta do funcionário da empresa ao empregador é
- A)provocar o patrão, fazendo-o agir no sentido de aceitar o que está expresso na primeira parte da disjunção.
Correta: a disjunção é usada para pressionar o patrão e levá-lo a aceitar a primeira parte como saída mais favorável.
- B)destacar, de modo explícito, na segunda parte da disjunção, que o patrão não respeita os seus funcionários.
Errada: a segunda parte não afirma de modo explícito e objetivo que o patrão não respeita os funcionários; isso é uma inferência provocativa.
- C)desautorizar polidamente o empregador diante do impasse apontado.
Errada: a fala não busca desautorizar com polidez, mas sim constranger e cobrar diretamente.
- D)ressaltar que o patrão está agindo de maneira inapropriada como gestor.
Errada: há crítica implícita, mas o foco da disjunção não é só dizer que o gestor age mal, e sim provocar uma resposta favorável.
- E)descrever ações que o patrão deve tomar em relação às incertezas dos funcionários.
Errada: não se trata de descrever ações a serem tomadas, mas de criar uma alternativa argumentativa para pressionar o empregador.
Gabarito: A
Aqui a banca cobra o valor argumentativo da disjunção em uma pergunta, e não apenas a ideia de “ou” como escolha neutra. Em português, a disjunção pode ser usada de forma estratégica para pressionar o interlocutor, sugerindo alternativas que já vêm carregadas de avaliação e de efeito persuasivo. Isso é muito comum em situações de confronto ou cobrança, como na fala do funcionário. Na frase “O senhor vai cumprir as suas promessas ou o senhor não respeita os seus funcionários?”, o “ou” não serve para apresentar duas opções igualmente válidas. Ele cria uma alternativa incômoda: ou o empregador cumpre o prometido, ou fica implícito que não respeita os funcionários. Ou seja, a estrutura empurra o interlocutor para aceitar a primeira parte como saída mais favorável, sob pena de assumir uma imagem negativa. Por isso, o papel argumentativo da disjunção é provocar o patrão e conduzi-lo a aderir ao conteúdo da primeira parte. A pergunta funciona quase como uma armadilha retórica: ela não quer só resposta, quer constranger e convencer ao mesmo tempo. É o tipo de recurso que aparece muito em questões de interpretação da CESPE/CEBRASPE, que adora um “ou” aparentemente inocente, mas com veneno discursivo. Assim, o gabarito A está correto porque reconhece esse efeito de pressão argumentativa: a disjunção foi usada para induzir o empregador a aceitar a primeira alternativa, em vez de tratá-la como uma simples escolha entre dois enunciados.