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Português · CESPE/CEBRASPE · 2024

Questão comentada de Português

— Voei ao Recife, no Cais Pousei na Rua da Aurora. — Aurora da minha vida Que os anos não trazem mais! — Os anos não, nem os dias, Que isso cabe às cotovias. Manuel Bandeira. Cotovia. In: Manuel Bandeira. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1990, p. 298. Nas práticas de leitura em sala de aula, um texto como o fragmento poético precedente é propício para o estudo da

Gabarito: C

Este fragmento de Manuel Bandeira é um ótimo exemplo de texto que conversa com outros textos. Quando um poema retoma ecos, formas, versos, temas ou referências já conhecidos da tradição literária, temos intertextualidade. Em sala de aula, esse tipo de leitura ajuda você a perceber que o texto não nasce isolado: ele dialoga com outros discursos, com a memória cultural e com a tradição poética. No trecho, a voz poética brinca com a ideia de "aurora" e com o tom lírico ligado à passagem do tempo, tema muito frequente na poesia. O efeito não está em definir uma fala popular, nem em marcar regionalismo, mas em reutilizar elementos da lírica brasileira para produzir um sentido novo, em outro contexto. Isso é justamente o coração da intertextualidade. A banca CESPE/CEBRASPE gosta muito de cobrar leitura fina do texto: em vez de você olhar só para uma palavra solta, ela quer que você perceba a relação entre o fragmento e a tradição literária. É por isso que o gabarito é a alternativa C: o poema retoma uma herança lírica conhecida e a reorganiza poeticamente, criando um novo efeito de sentido. Em termos de teoria textual, intertextualidade é a relação de um texto com outros textos anteriores ou contemporâneos, seja por citação, alusão, paródia, paráfrase ou retomada temática. Aqui, o ponto central é essa retomada transformada, e não uma análise de vocabulário isolado.

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