O conceito de desenvolvimento sustentável, conforme apresentado no Relatório Brundtland, refere-se a um modelo de desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de atenderem às suas próprias necessidades. O relatório destaca a importância de uma abordagem holística e colaborativa para enfrentar os desafios globais, promovendo um desenvolvimento que seja sustentável em diversas dimensões. A noção de desenvolvimento sustentável, nesse contexto, pode ser definida como:
- A)a viabilização do crescimento econômico ilimitado a partir dos recursos naturais, mitigando sempre que possível os impactos ambientais decorrentes, de modo a maximizar os benefícios de sustentabilidade reais de longo prazo;
Errada, porque defende crescimento econômico ilimitado com mera mitigação de impactos, o que contraria a lógica de limites ambientais do desenvolvimento sustentável.
- B)a redução das desigualdades sociais, em detrimento das ambientais, a partir do uso dos recursos naturais para a promoção de um desenvolvimento econômico perene e contínuo;
Errada, porque trata a dimensão social como prioridade em detrimento da ambiental, criando um falso dilema que não corresponde ao conceito de sustentabilidade.
- C)a integração entre crescimento econômico, inclusão social e proteção ambiental, buscando um equilíbrio que permita o progresso humano e a preservação dos recursos naturais para as gerações futuras;
Certa, pois reúne crescimento econômico, inclusão social e proteção ambiental em equilíbrio, exatamente a ideia do desenvolvimento sustentável.
- D)a consideração das pegadas ambientais, com foco no aspecto social, por meio do qual são realizados empreendimentos econômicos direcionados ao progresso da sociedade atual;
Errada, porque desloca o foco para pegadas ambientais e empreendimentos voltados ao progresso atual, sem explicitar o equilíbrio entre as três dimensões.
- E)a promoção do desenvolvimento social e ambiental da sociedade possui ordem de importância maior do que a dimensão econômica, sendo necessária a redução do desenvolvimento econômico nas sociedades desenvolvidas.
Errada, porque atribui hierarquia às dimensões e propõe reduzir o desenvolvimento econômico, quando a ideia correta é compatibilizar os pilares, não suprimir um deles.
Gabarito: C
O Relatório Brundtland (Nosso Futuro Comum, 1987) popularizou a ideia de que desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem esgotar a chance de as próximas gerações também viverem com dignidade. Em outras palavras, não basta crescer de qualquer jeito: é preciso crescer com responsabilidade. Na prática, isso exige equilibrar três dimensões que caminham juntas: economia, sociedade e meio ambiente. Se uma delas é ignorada, o projeto desanda. Não adianta enriquecer destruindo recursos naturais, nem preservar tudo sem pensar em emprego, renda e inclusão. O desafio é fazer as três peças funcionarem no mesmo tabuleiro. Por isso, o gabarito é a letra C. Ela descreve exatamente a integração entre crescimento econômico, inclusão social e proteção ambiental, com foco em equilíbrio e preservação para as gerações futuras. Essa é a leitura clássica do desenvolvimento sustentável na doutrina e também na prática normativa ambiental, em sintonia com o art. 225 da Constituição Federal, que impõe o dever de defender e preservar o meio ambiente para as presentes e futuras gerações. A FGV costuma cobrar esse tema com pegadinha conceitual: troca a ideia de equilíbrio por supremacia de uma dimensão sobre as outras, ou vende um crescimento econômico sem freio com uma maquiagem ambiental. Aqui, o núcleo é simples: sustentabilidade não é escolher entre economia, sociedade e ambiente, e sim compatibilizá-los.