Observe o seguinte texto e assinale a afirmação correta sobre ele: 'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço Brinca o luar — dourada borboleta; E as vagas após ele correm... cansam Como turba de infantes inquieta. 'Stamos em pleno mar... Do firmamento Os astros saltam como espumas de ouro... O mar em troca acende as ardentias, — Constelações do líquido tesouro... 'Stamos em pleno mar... Dois infinitos Ali se estreitam num abraço insano, Azuis, dourados, plácidos, sublimes... Qual dos dous é o céu? qual o oceano?... 'Stamos em pleno mar... Abrindo as velas Ao quente arfar das virações marinhas, Veleiro brigue corre à flor dos mares, Como roçam na vaga as andorinhas...
- A)A forma “Stamos” indica a forma antiga de conjugar o verbo “estar”.
Errada, porque “Stamos” é apenas uma redução poética de “estamos”, e não uma forma antiga de conjugar o verbo “estar”.
- B)Há um paralelismo perfeito entre os primeiros versos de cada estrofe.
Errada, porque há repetição inicial, mas não um paralelismo perfeito entre os versos das estrofes, já que as imagens e a construção variam bastante.
- C)A métrica perfeita, os versos decassílabos filiam esse fragmento poético ao Classicismo.
Errada, porque a presença de versos regulares não filia o fragmento ao Classicismo; além disso, o texto é romântico, abolicionista e retoricamente exuberante.
- D)Trata-se do fragmento inicial de um poema lírico, com a temática de amor pela natureza.
Errada, porque o trecho não se organiza como lirismo amoroso pela natureza, e sim como cena grandiosa com função expressiva e denunciadora.
- E)Faz parte de um famoso poema abolicionista, expressão de uma poesia oratória.
Certa, porque o fragmento é de "O Navio Negreiro", poema abolicionista de Castro Alves, marcado por poesia oratória e forte apelo emocional.
Gabarito: E
Este fragmento pertence a um poema de forte tom épico e declamatório, muito típico da poesia abolicionista do Romantismo brasileiro. Repare no movimento grandioso das imagens: mar, céu, astros, velas, tudo em expansão, como se o poema quisesse “abrir” o olhar do leitor para uma cena ampla e solene. Isso combina com a poesia de Castro Alves, que gostava de transformar o verso em discurso, quase um palanque literário. A chave para matar a questão está no reconhecimento do texto como trecho de "O Navio Negreiro", poema famoso de Castro Alves, autor associado à causa abolicionista. Nessa obra, a linguagem é exuberante, musical e altamente imagética, mas não é um lirismo intimista nem um simples elogio à natureza: há, antes, uma retórica enfática, voltada para comover e denunciar. É o que muitos manuais chamam de poesia oratória. Por isso, a alternativa E está correta: o fragmento faz parte de um poema abolicionista e expressa bem essa dicção oratória, isto é, discursiva, vibrante, de apelo emocional e social. Em prova, quando aparecer Castro Alves com imagens grandiosas, exclamações, ritmo forte e tom de denúncia, pense logo em poesia engajada e abolicionismo. As demais alternativas tentam desviar você para aspectos formais isolados, mas o conjunto do texto aponta para a obra e a intenção do autor, que são o verdadeiro centro da questão.