Sobre a obra de Graciliano Ramos, assinale a afirmativa correta.
- A)Tentou modificar a língua portuguesa literária, criando neologismos e ressuscitando arcaísmos de fundo regional.
Errada, porque Graciliano não ficou conhecido por criar neologismos ou ressuscitar arcaísmos regionais; sua linguagem é enxuta e econômica.
- B)Como romancista, explorou os romances regionalista, os romances psicológicos e a narrativa de memórias.
Certa, pois sua obra reúne romance regionalista, romance psicológico e narrativa memorialística, como se vê em "Vidas Secas", "São Bernardo", "Infância" e "Memórias do Cárcere".
- C)Procurou guiar sua produção literária na ordem cronológica de sua própria vida, incluindo em seus textos inúmeras referências autobiográficas.
Errada, porque ele não organiza sua produção pela ordem cronológica da própria vida nem faz da autobiografia um projeto linear.
- D)Modificou a língua literária brasileira, procurando restaurar a pureza do idioma lusitano do século anterior.
Errada, porque ele não buscou restaurar a pureza do idioma lusitano; sua escrita é moderna, sóbria e brasileira.
- E)Buscou preservar a memória nacional, incluindo em seus textos fatos de nossa vida cultural de origem africana.
Errada, porque essa descrição combina mais com projetos de valorização da cultura afro-brasileira, o que não define a obra de Graciliano Ramos.
Gabarito: B
Graciliano Ramos é um dos grandes nomes do romance de 1930, mas ele não entra na literatura para fazer malabarismo verbal. Sua marca é a economia da linguagem: frase seca, precisa, sem excesso, com forte carga psicológica e social. Ele observa o sertão, a desigualdade, a dureza da vida e também o interior das personagens com muita profundidade. Por isso, em sua obra aparecem com destaque o romance regionalista, o romance de análise psicológica e a narrativa de memórias. Ele escreve sobre o Nordeste e seus conflitos em obras como "Vidas Secas" e "São Bernardo", mas também mergulha na memória pessoal em "Infância" e "Memórias do Cárcere". Ou seja, ele transita entre a realidade social, a psicologia das personagens e a autobiografia memorialística. O gabarito é a letra B porque ela resume exatamente essa trajetória literária. Graciliano não é conhecido por inventar neologismos, nem por recuperar arcaísmos, nem por defender uma pureza lusitana. O estilo dele é o oposto disso: enxuto, moderno e crítico, com linguagem trabalhada na precisão, não no enfeite. Em prova, pense assim: se a alternativa falar em regionalismo com densidade humana, análise interior e memórias, acenda a luz verde. Se falar em purismo linguístico, artificialidade vocabular ou culto de uma norma antiga, a banca provavelmente está tentando te distrair.