Assinale a opção que indica romance que surgiu na época romântica, mas, por suas características, se filia preferencialmente ao realismo antecipado.
- A)“Inocência”, do Visconde de Taunay.
Inocência, embora tenha traços de observação da realidade, é um romance regionalista do Romantismo, não a obra clássica de realismo antecipado cobrada na questão.
- B)“Senhora”, de José de Alencar.
Senhora é um romance urbano romântico de José de Alencar, centrado em casamento, amor e dinheiro, sem o perfil de precursor do Realismo.
- C)“Iaiá Garcia”, de Machado de Assis.
Iaiá Garcia já é de Machado de Assis e se aproxima mais do amadurecimento do autor rumo ao Realismo, mas não é a obra tradicionalmente indicada como realismo antecipado neste tipo de cobrança.
- D)“Memórias de um Sargento de Milícias”, de Manuel Antônio de Almeida.
Memórias de um Sargento de Milícias é a resposta correta porque, apesar de surgir no Romantismo, traz ironia, tipos populares e crítica de costumes, antecipando traços realistas.
- E)“A Escrava Isaura”, de Bernardo Guimarães.
A Escrava Isaura é romance abolicionista romântico, com forte idealização da protagonista, o que a afasta do realismo antecipado.
Gabarito: D
A questão pede um romance nascido no Romantismo, mas que já aponta para o Realismo antes mesmo de o Realismo se firmar como escola. Isso acontece quando a obra ainda pertence ao período romântico pela data e pelo contexto, mas troca o excesso sentimental por observação social, humor crítico e retrato mais objetivo da vida cotidiana. Em concurso, esse tipo de leitura costuma aparecer como “realismo antecipado”, isto é, uma obra de transição, que não cabe direitinho na caixinha romântica tradicional. É justamente o caso de Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida. O romance foge do romantismo idealizador: em vez de heróis perfeitos, temos tipos populares, malandragem, ironia e uma narração que observa a sociedade com distância crítica. O ambiente é urbano, a ação é leve e episódica, e o narrador brinca com os costumes do Rio de Janeiro da época. Ou seja, há muito mais olhar social e humor do que idealização amorosa ou nacionalismo épico. Por isso, embora tenha sido publicado no período romântico, o livro é frequentemente visto como precursor do Realismo no Brasil. Não é um romance romântico típico, daqueles cheios de sentimentalismo e sacrifício amoroso. Ele já ensaia uma visão menos idealizada da realidade, quase como se estivesse dizendo: “calma, a vida real é mais bagunçada do que o romantismo gostaria”. Então, o gabarito é a letra D, porque a obra de Manuel Antônio de Almeida é a que melhor se encaixa nessa ideia de realismo antecipado. As demais alternativas pertencem a autores e obras ligados a outras vertentes do Romantismo ou a momentos posteriores, mas não apresentam com a mesma força esse tom observador, irônico e social.