A seguir estão segmentos de poemas que trazem marcas características dos estilos de época a que se filiam. Assinale a opção cujo segmento tem seu estilo de época corretamente indicado.
- A)“A Passiflora, flor da Paixão de Jesus, / Conserva em si, piedosa, os divinos Tormentos: / Tem cores roxas, tons magoados e sangrentos / Das Chagas Santas, onde o sangue é como luz.” / Parnasianismo.
Errada, porque o vocabulário religioso e a carga de sofrimento apontam mais para o Barroco do que para o Parnasianismo, que valoriza forma, objetividade e descrição plástica.
- B)“Estranho mimo aquele vaso! Vi-o. / Casualmente, uma vez, de um perfumado / Contador sobre o mármor luzidio, / Entre um leque e o começo de um bordado” / Modernismo.
Errada, porque o fragmento apresenta refinamento descritivo e olhar ornamental, traços mais próximos do Parnasianismo do que do Modernismo.
- C)Quero um beijo sem fim, / Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo! / Ferve-me o sangue. Acalma-o com teu beijo/ / Beija-me assim!” / Simbolismo.
Errada, porque o tom de desejo intenso, sensualidade e musicalidade não é marca central do Simbolismo nesse recorte, além de não haver a atmosfera vaga e sugestiva típica do estilo.
- D)“Triste Bahia! Ó quão dessemelhante / Estás e estou do nosso antigo estado! / Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado, / Rica te vejo eu já, tu a mim abundante.” / Barroco.
Certa, porque o trecho traz antíteses, lamento e crítica à mudança de estado social, marcas bem características do Barroco, especialmente em Gregório de Matos.
- E)Vou-me embora pra Pasárgada / Lá sou amigo do rei / Lá tenho a mulher que eu quero / Na cama que escolherei” / Romantismo.
Errada, porque o tom de fuga, imaginação e realização de desejos em lugar idealizado é mais associado ao Modernismo, e não ao Romantismo.
Gabarito: D
Nesta questão, a banca mistura trechos poéticos com marcas de estilos de época para ver se você reconhece o “jeito de falar” de cada escola literária. O segredo é observar o vocabulário, a visão de mundo e os contrastes: Barroco costuma trabalhar com oposição, conflito, religiosidade, tensão entre matéria e espírito, além de jogos de linguagem bem marcados. No trecho da letra D, aparecem exatamente essas características: lamento, contraste e consciência de decadência. A expressão “Triste Bahia! Ó quão dessemelhante / Estás e estou do nosso antigo estado!” mostra o eu lírico em tom de queixa, comparando passado e presente, riqueza e pobreza, estabilidade e ruína. Esse movimento de oposição é uma marca clássica do Barroco, especialmente em Gregório de Matos. Repare ainda que o poema explora antíteses de forma explícita: “Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado, / Rica te vejo eu já, tu a mim abundante.” Esse vaivém de contrastes é quase o cartão de visitas barroco. A linguagem também preserva o tom elevado, crítico e satírico, muito típico do período colonial brasileiro. Por isso, o gabarito está em D: o segmento é barroco, e não apenas “poético” em sentido genérico. Em questões da FGV, vale sempre desconfiar quando o enunciado oferece um poema com forte contraste, lamento moral e antíteses, porque isso costuma apontar direto para o Barroco.