Poema dos olhos da amada (Rio de Janeiro, 1959 – Vinicius de Moraes, Paulo Soledade.) Ó minha amada Que olhos os teus São cais noturnos Cheios de adeus São docas mansas Trilhando luzes Que brilham longe Longe nos breus... […] Considerando as convenções sonoras que caracterizam o poema, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. ( ) O ritmo do verso é diferente do ritmo lógico. ( ) As pausas, no poema, formam unidades musicais. ( ) Qualquer aspecto gramatical deve ser dispensado em relação à análise da versificação do poema. ( ) A métrica do poema é construída de acordo com a marcação feita pelos sinais de pontuação em cada estrofe. A sequência está correta em
- A)V, V, F, F.
Correta: as duas primeiras afirmativas estão certas e as duas últimas estão erradas.
- B)F, F, V, V.
Errada: inverte as duas primeiras e ainda atribui valor verdadeiro a duas afirmações que não correspondem à análise de versificação.
- C)V, F, V, F.
Errada: erra ao negar a função musical das pausas e ao aceitar uma ideia inadequada sobre a análise métrica.
- D)F, V, V, F.
Errada: embora reconheça a importância das pausas, também confunde métrica com pontuação e rejeita corretamente o que deveria ser aceito.
Gabarito: A
Neste tipo de questão, a banca quer ver se voce identifica a musicalidade do poema, isto é, como o som organiza o sentido. Em poesia, o ritmo não depende só da ordem “normal” das palavras: ele nasce da combinação entre acentos, pausas, repetições sonoras e cortes de verso. Por isso, o ritmo poético pode ser diferente do ritmo lógico da frase cotidiana. As pausas também são muito importantes: elas não servem apenas para respirar, mas ajudam a criar blocos sonoros, quase como pequenas unidades musicais. Em Vinicius de Moraes, isso aparece com força, porque o verso dialoga com a canção e reforça a cadência sentimental do poema. A terceira afirmativa está errada porque, na análise da versificação, nenhum aspecto gramatical deve ser simplesmente dispensado. Gramática, métrica, sintaxe e sonoridade caminham juntas. Voce pode até priorizar o som e o ritmo, mas não pode ignorar a estrutura linguística do texto, sob pena de perder parte da análise. A última também está errada porque a métrica não é construída pela pontuação em cada estrofe. Pontuação pode ajudar na leitura e nas pausas, mas a medida do verso depende da contagem silábica poética e da organização sonora, não de sinais gráficos. Por isso, o gabarito é V, V, F, F.