Roteamento de rede é o processo de seleção do melhor caminho para que os pacotes de dados viajem de sua origem até seu destino em uma rede. Dentre os diversos protocolos de Roteamento, destacam-se o protocolo de informações de roteamento (ou RIP, Routing Information Protocol) e o Protocolo de Gateway da Borda (ou BGP, Border Gateway Protocol). Com relação aos protocolos de roteamento RIP e o BGP, analise os itens a seguir. I. O RIP é um protocolo de estado de enlace destinado a redes pequenas e relativamente homogêneas, que não escala bem para uma implementação de rede maior II. O BGP é utilizado para roteamento entre sistemas autônomos (ou AS, Autonomous systems) na internet, sendo o único protocolo de gateway externo. III. RIP usa os temporizadores de atualização, tempo limite e lixo para regular seu desempenho, enquanto o BGP realiza o envio de informações de acessibilidade negativas ou positivas e a verificação de que os pares e a conexão de rede entre eles estão funcionando corretamente. Está correto o que se afirma em
- A)I e II, apenas.
A alternativa reúne a ideia de que o RIP seria um protocolo de estado de enlace e de que o BGP atuaria entre sistemas autônomos. A parte sobre o BGP está correta, porque ele é o protocolo de roteamento entre AS na Internet, mas o RIP não é link-state: ele é um protocolo de vetor de distância, com métrica simples de contagem de saltos. Como o item I erra justamente na natureza do protocolo, a combinação I e II não se sustenta.
- B)II e III, apenas.
Aqui se afirma que o BGP é usado no roteamento entre sistemas autônomos e que ele funciona como o protocolo externo da Internet, além de descrever seus anúncios de alcançabilidade e o controle da sessão com os vizinhos. Isso procede: o BGP troca rotas alcançáveis e retiradas de rota e usa mensagens como keepalive para manter a vizinhança sobre TCP. Também está correto dizer que o RIP depende de temporizadores de atualização, timeout e garbage collection, o que reforça a veracidade dos itens II e III.
- C)I e III, apenas.
Essa opção diz que o RIP seria de estado de enlace e que, ao mesmo tempo, o BGP faria anúncios positivos ou negativos de alcançabilidade e verificaria a sessão com os pares. O segundo trecho está certo, mas o primeiro não: o RIP é vetor de distância, não link-state, e por isso é mais limitado e menos escalável em redes grandes. Como o item I falha no conceito básico do protocolo, a combinação I e III não pode ser aceita.
- D)III, apenas.
A alternativa sustenta apenas o item III, descrevendo corretamente os temporizadores do RIP e o modo como o BGP anuncia rotas e mantém a comunicação com os vizinhos. O problema é que o item II também está correto, porque o BGP é o protocolo de roteamento entre sistemas autônomos e o padrão usado na borda da Internet. Assim, a resposta não pode se limitar a III, já que falta uma afirmação verdadeira.
- E)I, II e III.
Aqui se considera verdadeiros os três itens, mas o item I contém um erro conceitual central ao classificar o RIP como protocolo de estado de enlace. O RIP é vetor de distância, embora de fato seja indicado para redes pequenas e pouco escaláveis, enquanto os itens II e III estão corretos ao tratar do papel do BGP e dos temporizadores do RIP. Portanto, o conjunto inteiro não pode ser aceito porque uma das afirmações fica comprometida.
Gabarito: B
O RIP e o BGP são protocolos clássicos de roteamento, mas cada um vive em um “mundo” diferente. O RIP é um protocolo do tipo vetor de distância, pensado para redes pequenas, simples e com poucas rotas. Ele não usa estado de enlace, então a assertiva I está errada logo de cara: trocou o tipo do protocolo e isso muda tudo. Já o BGP é o protocolo usado entre sistemas autônomos na internet, isto é, entre redes administrativamente diferentes. Ele é o protocolo de gateway externo mais importante e, na prática, o padrão para a troca de rotas entre AS. Por isso, a assertiva II está correta. A assertiva III também está correta. No RIP, os temporizadores de atualização, tempo limite e lixo ajudam a controlar o funcionamento e a retirada de rotas antigas. No BGP, a troca de informações de alcançabilidade, positivas e negativas, e os mecanismos de verificação da vizinhança, como keepalive e hold timer, garantem que os pares continuam ativos e que a sessão segue saudável. Assim, sobra a combinação II e III, apenas. É o tipo de questão que adora misturar características dos protocolos para ver se você confunde RIP com OSPF ou pensa que tudo que é “roteamento” funciona do mesmo jeito. Não funciona, e a banca gosta exatamente dessa diferença.