Um determinado roteador está interligando diversos enlaces, cada um rodando diferentes protocolos da camada de enlace com diferentes MTUs. Ao receber um datagrama IPv4 de um enlace, o roteador identificou que o enlace de saída tem uma MTU menor do que o comprimento do datagrama IP. Nesse cenário, o roteador deve:
- A)descartar o datagrama IP e solicitar à origem que envie novamente o datagrama com a MTU correta;
Errada, porque o roteador não solicita reenvio por padrão; no IPv4 ele pode fragmentar o datagrama para adequá-lo à MTU de saída.
- B)descartar o datagrama IP, alterar a MTU do enlace e solicitar à origem que envie novamente o datagrama;
Errada, porque o roteador não altera a MTU do enlace e também não depende de pedir novo envio para resolver o problema.
- C)ajustar a MTU do enlace de saída, igualando à MTU do enlace de entrada, para suportar o datagrama IP enviado e os demais com mesmo tamanho;
Errada, porque a MTU do enlace não é ajustada pelo roteador para acomodar um datagrama maior; o tratamento é feito no pacote, não no enlace.
- D)fragmentar os dados do datagrama IP em dois ou mais datagramas IP menores e reconstruí-los utilizando os campos ID, Deslocamento e Flag;
Certa, porque o IPv4 permite fragmentação em datagramas menores e a remontagem usa ID, Deslocamento e Flag (especialmente MF).
- E)fragmentar os dados do datagrama IP em dois ou mais datagramas IP menores e reconstruí-los utilizando os campos ID, Deslocamento e TTL.
Errada, porque TTL não é campo de remontagem; ele serve para controlar o tempo de vida do datagrama e evitar looping na rede.
Gabarito: D
Quando um roteador recebe um datagrama IPv4 e o enlace de saída tem MTU menor do que o tamanho total do pacote, ele precisa lidar com isso sem “inventar” uma nova MTU nem pedir ao remetente para adivinhar o problema. No IPv4, a solução clássica, salvo a opção de não fragmentar, é fragmentar o datagrama em partes menores para que caibam no enlace de saída. Isso acontece no nível IP, então os dados são divididos em fragmentos, cada um com seu próprio cabeçalho IPv4. Para que o destino consiga remontar tudo depois, a fragmentação usa campos específicos do cabeçalho: o campo ID identifica que os fragmentos pertencem ao mesmo datagrama, o Deslocamento (Fragment Offset) diz a posição de cada fragmento no pacote original, e a Flag MF (More Fragments) indica se ainda existem fragmentos a seguir. É por isso que o roteador não altera a MTU do enlace e também não “reconstrói” nada no caminho de saída: ele só fragmenta; a remontagem fica para o destino. O enunciado descreve exatamente essa situação: enlace de saída com MTU menor que o comprimento do datagrama IPv4. No IPv4, o comportamento esperado é fragmentar, desde que o bit DF (Don't Fragment) não impeça isso. Em provas, a FGV costuma cobrar essa diferença entre fragmentação no IPv4 e a ausência de fragmentação por roteadores no IPv6. Aqui, portanto, o gabarito é a alternativa que menciona fragmentação e os campos corretos de controle. Resumo de bolso: MTU menor no caminho, IPv4 pode fragmentar; quem remonta é o destino, usando ID, Offset e Flags. TTL não serve para remontagem, ele só limita a vida do pacote na rede.