A equipe de TI de um órgão público está implementando um sistema de voz e vídeo para comunicação interna entre seus diversos setores, localizados em distintos edifícios. Com o objetivo de reduzir custos, foi definida a utilização de um sistema de comunicação de voz e vídeo por IP. Entretanto, identificou-se um problema comum dessa tecnologia usada nesse sistema: a latência. A baixa latência é necessária para uma conversa bidirecional de qualidade. Logo, esses sistemas de comunicação precisam ser projetados com um conjunto de possibilidades para minimizar a latência. Para assegurar a redução de latência em um sistema de voz e vídeo por IP, deve ser implementado(a):
- A)o protocolo TCP, pois este garante que o referido pacote seja entregue reduzindo o número de retransmissões;
Errada, porque o TCP prioriza confiabilidade e retransmissões, o que tende a aumentar a latência em aplicações em tempo real.
- B)o protocolo UDP, de forma a acelerar as transmissões para grandes distâncias, mesmo havendo uma pequena possibilidade de perda de pacotes;
Errada, porque o UDP reduz overhead, mas não garante por si só baixa latência nem tratamento prioritário na rede.
- C)com tamanho de pacotes grandes, que são a melhor maneira de usar a largura de banda da rede, pois são mais eficientes;
Errada, porque pacotes grandes podem piorar atraso e fragmentação, não sendo a melhor estratégia para voz e vídeo.
- D)com o uso de qualquer software de comunicação, pois o seu overhead na transmissão e recepção não afeta a latência;
Errada, porque qualquer software gera algum overhead e isso pode sim impactar a latência, especialmente em tempo real.
- E)a qualidade de serviço (QoS) na camada de rede, de forma que os pacotes sejam marcados como de classes heterogêneas, recebendo tratamentos diferentes.
Certa, porque QoS permite classificar e tratar pacotes de forma diferenciada, priorizando tráfego sensível como voz e vídeo.
Gabarito: E
Quando falamos de voz e vídeo por IP, o grande vilão costuma ser a latência, porque uma conversa em tempo real não tolera aqueles atrasos que fazem a pessoa parecer que está falando do fundo de um túnel. Nessa situação, não basta a rede “funcionar”; ela precisa priorizar o tráfego mais sensível ao tempo, como voz e vídeo, para reduzir atraso, jitter e perda de pacotes. É exatamente aí que entra a QoS (Quality of Service), que permite classificar, marcar e tratar os pacotes de forma diferente conforme a necessidade do serviço. A ideia central é simples: nem todo pacote tem a mesma urgência. Um arquivo baixado pode esperar um pouco, mas uma chamada de voz não pode. Por isso, em redes corporativas, a QoS na camada de rede costuma usar mecanismos de priorização e classificação de tráfego, como filas diferenciadas e marcação de pacotes em classes de serviço, para garantir melhor desempenho aos fluxos sensíveis a atraso. O gabarito está na letra E porque ela descreve justamente esse tratamento diferenciado: a implementação de QoS para que os pacotes sejam marcados e recebam prioridades distintas. Isso é o caminho clássico para reduzir latência em voz sobre IP e vídeo sobre IP. Em termos doutrinários, QoS é o conjunto de técnicas para controlar parâmetros como latência, jitter, perda e banda, especialmente em aplicações em tempo real. Já usar TCP não é a saída ideal para voz e vídeo, porque a confiabilidade extra vem com retransmissões e maior atraso. Também não basta dizer que UDP “acelera”: ele ajuda por ter menos overhead, mas, sozinho, não resolve o problema de priorização. Em resumo, para comunicação em tempo real, a rede precisa ser inteligente, não só rápida.