O sujeito histórico constrói a história no cotidiano. As relações sociais diárias se desdobram em espaços de produção e disputa nos quais indivíduos e grupos moldam suas experiências de acordo com normas e valores do seu tempo. Michel de Certeau analisa a dimensão criativa e tática da ação dos sujeitos no cotidiano. Para ele, o sujeito histórico não apenas interage com estruturas sociais preestabelecidas, mas também as subverte por meio de práticas diárias. Diante disso, é possível interpretar as redes sociais, na atualidade, como formas de resistência e criatividade, pois permitem a modificação e variações de narrativas. Com base na visão do autor sobre a ação dos sujeitos no cotidiano, como as redes sociais podem ser interpretadas na atualidade? (CERTEAU, Michel. A invenção do cotidiano. Petrópolis: Vozes, 1998.)
- A)As redes sociais são exclusivamente espaços de reprodução de discursos dominantes controlados por grandes corporações, sem margem para apropriação ou resistência.
Errada, porque reduz as redes sociais a mera reprodução de discursos dominantes, ignorando a apropriação criativa e as formas de resistência dos usuários.
- B)Michel de Certeau argumenta que o sujeito histórico não tem influência sobre as estruturas sociais, sendo apenas um reflexo delas.
Errada, porque contraria diretamente Michel de Certeau, que reconhece a ação ativa dos sujeitos no cotidiano e sua capacidade de subverter estruturas.
- C)As redes sociais impedem a criatividade dos indivíduos, pois impõem normas rígidas e inalteráveis de interação, como o atual cerceamento à liberdade de expressão promovido pelos Estados.
Errada, porque trata as redes sociais como espaços totalmente rígidos e sem margem de uso criativo, o que não combina com a visão de táticas e reinvenção do autor.
- D)As redes sociais podem ser formas de resistência e criatividade, pois permitem que os indivíduos transformem discursos dominantes em novas narrativas, reinventando seu papel no mundo digital e no cotidiano.
Certa, porque expressa a ideia de que os sujeitos podem ressignificar discursos e criar novas narrativas nas práticas cotidianas e no ambiente digital.
Gabarito: D
Michel de Certeau, em A invenção do cotidiano, mostra que o sujeito não é só um espectador da sociedade: ele também inventa jeitos de agir, driblar regras e produzir sentidos no dia a dia. Para ele, o cotidiano é cheio de pequenas táticas, isto é, maneiras criativas de usar as estruturas existentes sem depender totalmente delas. É como quando alguém pega uma ferramenta pronta e usa de um jeito que ninguém previu. As redes sociais entram bem nessa lógica, porque não servem apenas para repetir discursos já prontos. Elas também podem ser apropriadas pelos usuários para criar versões próprias, disputar narrativas e resistir a discursos dominantes. Por isso, o gabarito é a letra D: ela traduz a ideia de que os indivíduos reinventam seu papel no mundo digital, transformando a comunicação em espaço de criatividade e contestação, e não apenas de consumo passivo.