Leia o fragmento abaixo: “O olhar do geógrafo ensina a desvendar o jogo das forças naturais, a acumulação do trabalho humano e os destinos sucessivos dos lugares – hoje, esplendor das paisagens -, e a subutilização de parte delas em uma época em que as pessoas, no entanto, ficaram indiferentes aos belos ambientes”. CLAVAL, P. Epistemologia da Geografia. Florianópolis: Editora da UFSC, 2009, p. 20. No excerto acima, é feita uma referência ao papel da Geografia na análise do espaço, para a qual são sugeridos dois níveis para o trabalho do geógrafo, os quais são analisar
- A)os processos físicos e suas repercussões.
Errada, porque o texto não limita a análise aos processos físicos nem às suas repercussões, mas amplia para a relação entre natureza, trabalho humano e leitura científica do espaço.
- B)a região e o processo de territorialidade.
Errada, porque região e territorialidade são temas da Geografia, mas não expressam os dois níveis de trabalho do geógrafo indicados no fragmento.
- C)o ambiente e os impactos antrópicos.
Errada, porque ambiente e impactos antrópicos aparecem no texto, mas isso é só parte do conteúdo analisado, não a dupla metodologia sugerida.
- D)o saber-fazer e a reflexão científica.
Certa, porque o fragmento opõe a prática de observação e leitura do espaço ao momento de análise e interpretação científica, exatamente os dois níveis mencionados.
Gabarito: D
O fragmento de Claval destaca a Geografia como um modo de ver o mundo que não fica só na superfície bonita da paisagem. Ela observa as forças naturais, o trabalho humano, a transformação dos lugares e também o uso desigual do espaço. Em outras palavras, o geógrafo precisa juntar o que ele observa no terreno com a interpretação crítica do que aquilo significa. Por isso, a questão fala em dois níveis do trabalho geográfico. Um é o saber-fazer, isto é, a leitura concreta do espaço, a observação, a descrição e a organização dos elementos da paisagem. O outro é a reflexão científica, que permite analisar, comparar, explicar e entender os processos por trás do que aparece no mapa ou na paisagem. É exatamente isso que a alternativa D traduz. O texto não quer apenas listar fenômenos naturais ou humanos isolados, mas mostrar que a Geografia trabalha com prática de observação e com pensamento científico ao mesmo tempo. É aquela dupla clássica: ver e interpretar, como quem não se contenta com o cenário e quer entender o enredo. As outras alternativas até tocam em temas geográficos importantes, mas não resumem com precisão os dois níveis sugeridos pelo excerto. O foco do texto está na forma de fazer Geografia, e não apenas em um recorte temático específico.