Em maio de 2014, a Festa de Nossa Senhora do Rosário da Comunidade dos Arturos foi declarada patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais, no contexto do Registro da Comunidade dos Arturos, em Contagem. Foi o primeiro registro de uma comunidade tradicional como patrimônio cultural, fato que ampliou a noção da categoria de lugares e que possibilita outros reconhecimentos. A comunidade é responsável pela manutenção de diversos bens culturais, como a Festa do João do Mato, a Festa daAbolição, o conhecimento sobre as plantas, a Folia de Reis, o Congado, as Guardas de Congo e Moçambique e a sua cozinha tradicional. Além da Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Arturos, também foram reconhecidos o Reinado / Congado dos Arturos e o Rito da Benzeção nos Arturos, bens culturais também relacionados à Comunidade dos Arturos. Disponível em: http://www.iepha.mg.gov.br/index.php/ programas-e-acoes/patrimonio-cultural-protegido/bensregistrados/details/2/2/bens-registrados-comunidade-dosarturos. Acesso em: 22 ago. 2022. A tradicional Comunidade dos Arturos, sediada em Contagem, é responsável pela manutenção de diversos bens culturais, ritos e tradições herdadas de um passado marcado pela
- A)urbanização.
Errada, porque urbanização não explica a origem das tradições afro-religiosas e comunitárias mantidas pelos Arturos.
- B)modernização.
Errada, porque modernização aponta para mudanças recentes, enquanto o enunciado trata de heranças históricas antigas e tradicionais.
- C)escravidão.
Certa, porque as práticas culturais citadas têm origem na experiência histórica de populações negras marcadas pela escravidão e pela resistência cultural.
- D)industrialização.
Errada, porque industrialização se relaciona ao desenvolvimento econômico e urbano, não à formação dessas tradições comunitárias.
Gabarito: C
A questão explora a relação entre patrimônio cultural e a memória histórica de uma comunidade tradicional. Os Arturos, em Contagem, preservam festas, ritos, congados, guardas, benzimentos e saberes ligados à religiosidade afro-brasileira e à vida comunitária. Isso não surge do nada: é herança de um passado de resistência vivido por populações negras, especialmente no contexto da escravidão e do pós-abolição. Quando o enunciado fala em tradições como Congado, Moçambique, benzeção e festas religiosas afro-católicas, ele está apontando para práticas que nasceram e se consolidaram entre pessoas negras escravizadas e seus descendentes. Esses grupos mantiveram símbolos, rituais e formas de organização social mesmo diante da opressão. É uma memória viva, daquelas que atravessam gerações sem pedir licença ao tempo. Por isso, o gabarito é a letra C, escravidão. A comunidade dos Arturos é frequentemente estudada como um exemplo de preservação da cultura afro-brasileira, com forte vínculo com a ancestralidade negra e com a experiência histórica da escravização. O reconhecimento como patrimônio cultural imaterial reforça justamente esse valor de continuidade histórica e identidade coletiva. Em termos legais, isso se conecta à proteção do patrimônio cultural prevista no art. 216 da Constituição Federal, que inclui formas de expressão, modos de criar, fazer e viver, além das criações científicas, artísticas e tecnológicas. Ou seja, não é só casarão antigo que vira patrimônio - também entram festas, ritos e saberes que contam a história de um povo.