Uma das questões mais importantes da atualidade é a poluição atmosférica. Sobre o tema, analise as assertivas abaixo: I. A redução da camada de ozônio continua sendo o resultado de substâncias químicas produzidas pelo ser humano que dissociam o ozônio. Contudo, a ação dos ventos acaba por concentrar os poluentes sobre a Antártida, onde o buraco na camada de ozônio é maior. II. A poluição atmosférica antropogênica está concentrada em áreas urbanas (como a Índia setentrional e a China oriental), que estão sendo afetadas por níveis não saudáveis de poluição. III. A poluição natural oriunda de incêndios naturais, vulcões e poeira soprada pelo vento é prejudicial à saúde humana. Quais estão corretas?
- A)Apenas I.
A alternativa sustenta que somente a assertiva I estaria correta, isto é, a depleção da camada de ozônio por substâncias humanas e a concentração do problema sobre a Antártida. Esse enunciado é aceito como impreciso no exame, porque a explicação do buraco de ozônio não se resume a ventos concentrando poluentes, mas envolve CFCs, halons, cloro/bromo e a dinâmica do vórtice polar. Além disso, II e III também descrevem fenômenos ambientais efetivamente observados.
- B)Apenas II.
A alternativa afirma que apenas a assertiva II estaria correta, que trata da forte poluição antrópica em áreas urbanas e industriais da Ásia, como norte da Índia e leste da China. Essa descrição corresponde a regiões com concentrações elevadas de PM2.5 e outros poluentes, mas a opção erra ao excluir a assertiva III, que também reconhece fontes naturais de poluição atmosférica prejudiciais à saúde. O problema, portanto, está na exclusividade do 'apenas', não no conteúdo de II.
- C)Apenas III.
A alternativa aponta somente a assertiva III, segundo a qual incêndios naturais, vulcões e poeira transportada pelo vento também poluem o ar e afetam a saúde. O conteúdo de III está correto do ponto de vista ambiental, pois poluentes não têm origem apenas humana e partículas finas e gases naturais podem causar impactos respiratórios e ecológicos. Contudo, a exclusividade ignora a assertiva II, que igualmente está correta ao tratar de focos intensos de poluição antropogênica na Ásia.
- D)Apenas II e III.
A alternativa reúne II e III, que são as duas afirmações que o enunciado pretende reconhecer: a poluição antrópica se concentra em grandes corredores urbanos e industriais, como norte da Índia e leste da China, e a poluição natural também existe e pode ser nociva à saúde. Esse enquadramento coincide com a distinção geográfica entre fontes antropogênicas e naturais de poluição atmosférica. No gabarito da questão, a assertiva I é desconsiderada por simplificar excessivamente a origem do buraco na camada de ozônio.
- E)I, II e III.
A alternativa afirma que I, II e III estariam corretas, combinando o tema do ozônio, da poluição antrópica urbana e da poluição natural. Embora II e III estejam de acordo com o conteúdo ambiental cobrado, I é problematizada porque o buraco de ozônio não decorre apenas de ventos que concentram poluentes, mas de substâncias como CFCs e halons associadas ao vórtice polar antártico e a reações químicas na estratosfera. Por isso, não se pode validar o conjunto inteiro.
Gabarito: D
A poluição atmosférica pode ser dividida, em linhas gerais, em dois blocos: a de origem humana e a natural. A humana vem, sobretudo, da queima de combustíveis fósseis, da indústria e dos transportes, e costuma se concentrar nas grandes áreas urbanas e industrializadas. Por isso, regiões muito populosas e com forte atividade econômica, como partes da Índia e da China, aparecem com frequência nas discussões sobre má qualidade do ar. A assertiva II está correta exatamente por isso: a poluição atmosférica antropogênica tende a se acumular onde há muita emissão e pouca capacidade de dispersão. Já a III também está correta, porque a poluição natural, embora não tenha sido causada pelo ser humano, também faz mal. Fumaça de incêndios naturais, cinzas vulcânicas e poeira em suspensão podem irritar as vias respiratórias e agravar doenças, especialmente em crianças, idosos e pessoas com problemas pulmonares. A pegadinha maior está na assertiva I. É verdade que a destruição da camada de ozônio decorre de substâncias produzidas pelo ser humano, como os CFCs. Mas o buraco sobre a Antártida não ocorre porque os ventos simplesmente concentram poluentes ali; o fenômeno se relaciona ao isolamento atmosférico da região, às baixas temperaturas e às reações químicas na estratosfera polar. Em outras palavras: a causa geral está certa, mas a explicação dada na frase escorrega. Sem uma lei específica sobre isso, o que vale aqui é o conhecimento geográfico e ambiental clássico cobrado em concurso: poluição urbana = emissão humana concentrada; poluição natural também pode ser nociva; e a destruição da camada de ozônio não deve ser explicada de forma simplificada demais.