A Geografia Política Clássica, com seu principal expoente, Friedrich Ratzel, estabeleceu as bases para o entendimento das relações entre Estado, território e poder, influenciando fortemente a forma como se concebia a organização do espaço geográfico. De acordo com a perspectiva da Geografia Política Clássica:
- A)o Estado, como ente soberano, detém o monopólio do uso da força;
Certa: a Geografia Política Clássica trata o Estado como soberano e centralizador, associado ao monopólio da força no território.
- B)as fronteiras do Estado são entendidas como zonas de livre circulação;
Errada: na visão clássica, fronteira não é zona de livre circulação, mas limite de controle e defesa do Estado.
- C)a soberania estatal é garantida pela diversidade cultural em seu território;
Errada: diversidade cultural pode existir no território, mas não é o fundamento da soberania estatal na perspectiva clássica.
- D)o poder estatal é compartilhado igualmente com organizações não estatais;
Errada: a abordagem clássica não dilui o poder entre atores não estatais; ela coloca o Estado no centro.
- E)a soberania estatal pressupõe a multidimensionalidade do poder no espaço geográfico.
Errada: a ideia de poder multidimensional e compartilhado é típica de abordagens mais recentes, não da Geografia Política Clássica.
Gabarito: A
A Geografia Política Clássica, ligada a Friedrich Ratzel, nasceu num contexto em que o Estado era visto como o centro da organização do espaço. A ideia principal era simples e bem direta: território, poder e Estado não se separam. O Estado aparece como um organismo vivo, que ocupa, controla e defende um espaço, quase como se o território fosse seu corpo. Nessa visão clássica, o foco está na força do Estado, na sua expansão e na sua capacidade de controlar o território. Por isso, a soberania estatal é entendida de forma concentrada: o Estado é o ente que manda, organiza e impõe regras dentro de suas fronteiras. Aqui a lógica é bem rígida, bem territorial, bem "o mapa tem dono". A alternativa A está correta porque traduz essa ideia de soberania estatal concentrada e de monopólio da força, compatível com a tradição clássica da Geografia Política e com a noção moderna de Estado. Esse entendimento também conversa com a formulação de Max Weber sobre o Estado como a comunidade humana que reivindica com sucesso o monopólio do uso legítimo da força em determinado território, algo muito presente na leitura política do espaço. As demais alternativas fogem da perspectiva clássica e já entram em visões mais recentes, que falam em fronteiras fluidas, pluralidade de atores, redes e repartição do poder. Isso é outra conversa. Na Geografia Política Clássica, o Estado continua sendo o protagonista absoluto.