A região do MATOPIBA, abrangendo áreas do Maranhão/MA, Tocantins/TO, Piauí/PI e Bahia/BA, insere-se no bioma Cerrado do Centro-Norte do Brasil. A expansão do agronegócio, impulsionada por monocultivos agroflorestais, como soja, algodão e milho, e pela pecuária bovina com pastagens cultivadas, tem gerado transformações no uso da terra e conflitos socioambientais. Esse processo impacta a biodiversidade, os recursos hídricos e as populações tradicionais. Sobre os impactos ambientais do agronegócio no Cerrado do MATOPIBA, é correto afirmar que:
- A)a diminuição da disponibilidade hídrica nas veredas resulta no aumento da vazão dos cursos d'água;
Errada, porque a diminuição da disponibilidade hídrica nas veredas reduz, e não aumenta, a vazão dos cursos d'água.
- B)a compactação dos solos nos baixões promove o aumento da infiltração da água e a recarga dos aquíferos;
Errada, porque a compactação do solo diminui a infiltração da água e prejudica a recarga dos aquíferos.
- C)a remoção da vegetação nativa nos chapadões acarreta a degradação do solo e a intensificação da erosão;
Certa, pois a remoção da vegetação nativa nos chapadões deixa o solo mais exposto, intensificando a erosão e a degradação.
- D)a expansão da pecuária em áreas de brejos induz o aumento da biodiversidade vegetal e da disponibilidade de água;
Errada, porque a expansão da pecuária em áreas de brejos tende a degradar a vegetação e comprometer a disponibilidade de água.
- E)a utilização de técnicas agrícolas de baixo impacto em matas ciliares leva à redução da contaminação por agrotóxicos.
Errada, porque a questão trata de um cenário de expansão do agronegócio com impacto ambiental, e não de redução da contaminação por agrotóxicos.
Gabarito: C
O MATOPIBA virou uma das frentes mais intensas de expansão do agronegócio no Cerrado, especialmente com soja, milho, algodão e a pecuária em larga escala. O problema é que esse avanço costuma vir acompanhado de supressão da vegetação nativa, uso pesado do solo e pressão sobre as áreas de recarga hídrica. No Cerrado, a vegetação tem papel fundamental na proteção do solo e na regulação da água. Quando ela sai de cena, o ambiente sente primeiro, e forte. Nas chapadas, a retirada da vegetação nativa expõe o solo à ação direta da chuva e do vento. Isso aumenta a erosão, favorece o assoreamento e pode reduzir a qualidade e a disponibilidade de água. Em outras palavras: menos cobertura vegetal significa menos proteção do solo e mais desgaste do relevo. É exatamente esse o coração da alternativa C. Já as veredas, baixões e brejos são áreas frágeis e muito ligadas ao equilíbrio hídrico do Cerrado. Se há diminuição da água ou degradação dessas áreas, o efeito esperado não é aumento de vazão nem de recarga, mas sim o oposto: perda de regularidade do fluxo e mais pressão sobre os mananciais. A lógica ambiental aqui é bem direta, sem truque de banca. Como base conceitual, vale lembrar que a Constituição Federal, no art. 225, garante o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, e a doutrina ambiental trata a vegetação nativa como elemento essencial de proteção dos recursos hídricos e do solo. No MATOPIBA, quando o agronegócio avança sem cuidado, o custo ambiental aparece em forma de degradação, erosão e conflito pelo uso da água.