O Maciço da Tijuca, no Rio de Janeiro, enfrenta desafios ambientais complexos devido à expansão urbana, ao desmatamento e à interação entre o ambiente construído e o ecossistema florestal. As respostas geo-hidroecológicas às mudanças ambientais induzidas pelo desmatamento na interface com o ecossistema florestal, no Maciço da Tijuca, manifestam-se principalmente por meio:
- A)do aumento do escoamento superficial, da frequência de deslizamentos e do assoreamento dos canais fluviais;
Certa, porque o desmatamento aumenta o escoamento superficial, favorece deslizamentos e eleva o assoreamento dos canais fluviais.
- B)da intensificação da estabilidade dos solos devido à maior infiltração da água e à redução da saturação nas encostas;
Errada, porque a perda de vegetação não estabiliza o solo; ao contrário, tende a reduzir a infiltração útil e aumentar a instabilidade das encostas.
- C)da atenuação das variações de temperatura e da frequência de eventos extremos de chuva, devido à menor cobertura vegetal;
Errada, porque a menor cobertura vegetal não atenua, mas geralmente intensifica extremos térmicos e não reduz a frequência de chuvas intensas.
- D)da redução do carreamento de sedimentos para os canais de drenagem, com o consequente aumento da capacidade de vazão dos cursos d'água;
Errada, porque o desmatamento costuma aumentar o carreamento de sedimentos e não a capacidade de vazão dos cursos d'água.
- E)da diminuição da interceptação da chuva pelas copas das árvores e do armazenamento hídrico nos solos, resultando em menor escoamento superficial.
Errada, porque a diminuição da interceptação e do armazenamento hídrico no solo aumenta, e não reduz, o escoamento superficial.
Gabarito: A
O Maciço da Tijuca é um ótimo exemplo de como a retirada da cobertura vegetal muda o funcionamento da encosta e da drenagem. Quando a vegetação diminui, a chuva deixa de ser mais bem interceptada pelas copas, o solo perde proteção e a água passa a escorrer com mais velocidade pela superfície. Isso aumenta o escoamento superficial, reduz a infiltração e favorece a erosão das encostas. Em áreas íngremes e urbanizadas, esse cenário costuma vir acompanhado de deslizamentos, enxurradas e transporte de sedimentos para os canais fluviais. No caso da Tijuca, a interface entre floresta e cidade deixa o sistema ainda mais sensível: o ambiente construído impermeabiliza o solo e acelera a água, enquanto o desmatamento remove o “freio natural” da floresta. O resultado é um desequilíbrio geo-hidroecológico clássico de prova. Por isso, o gabarito é a alternativa A. Ela traduz exatamente os efeitos esperados do desmatamento em encostas urbanas: mais escoamento superficial, mais instabilidade do terreno, mais deslizamentos e mais assoreamento dos cursos d'água.