No caso da economia paranaense, é interessante situar sua inserção em função de mercados internos e externos. Paralelo à atividade mineradora desenvolvida no centro do país foi que a economia do Paraná despertou. Os proprietários de terra da região, herdeiros dos primeiros bandeirantes e sesmeiros, acabaram por envolver-se no comércio das tropas e forjaram as primeiras frações de classes dominantes locais, já que em seu poder concentravam-se as primeiras acumulações primitivas de capital. Esse fato acarretou uma série de mudanças nos hábitos de consumo local, aumentando a importação de artigos mais refinados, pagos com o excedente de capital da atividade criatória. Sêga, R.A. Tempos Belicosos: a Revolução Federalista no Paraná. Curitiba: Instituto Memória, 2008. Sobre a formação socioeconômica da sociedade e do território em questão, correlacione as colunas: 1. Xetá 2. Muar 3. Viamão 4. Tropeiro ( ) Via terrestre ( ) Condutor de manadas ( ) Animal de carga ( ) Povos originais Assinale a opção que indica a relação correta, na ordem apresenta.
- A)1 – 4 – 2 – 3.
Errada, porque embaralha os conceitos e não respeita a relação entre caminho, condutor, animal de carga e povos originários.
- B)3 – 4 – 2 – 1.
Certa, pois associa Viamão à via terrestre, tropeiro ao condutor de manadas, muar ao animal de carga e Xetá aos povos originais.
- C)4 – 2 – 3 – 1.
Errada, porque troca as funções de Viamão, muar e tropeiro, invertendo os papéis históricos dos termos.
- D)3 – 2 – 1 – 4.
Errada, pois coloca Viamão como condutor e tropeiro como animal de carga, o que não corresponde aos significados.
- E)4 – 3 – 1 – 2.
Errada, porque mistura a ordem dos termos e atribui aos vocábulos sentidos que não correspondem à formação socioeconômica descrita.
Gabarito: B
A questão mistura elementos da formação histórica do sul do Brasil com o ciclo do tropeirismo. Esse comércio de tropas foi fundamental para integrar áreas internas ao mercado, levando gado, produtos e riqueza por caminhos terrestres, e ajudando a formar grupos dominantes locais. Na prática, ele não só movimentava mercadorias, como também moldava ocupação do território, hábitos de consumo e a economia regional. Aqui, a banca quer que voce associe cada termo ao seu significado. "Viamão" remete ao caminho terrestre usado nas rotas dos tropeiros, ligando regiões do interior. "Tropeiro" é o condutor das manadas, isto é, quem levava os animais pelas estradas. "Muar" se relaciona ao muares, os animais de carga usados no transporte. E "Xetá" identifica um povo originário, isto é, os povos indígenas da região. Assim, a sequência correta fica: via terrestre = Viamão, condutor de manadas = tropeiro, animal de carga = muar, povos originais = Xetá. Isso corresponde à alternativa B. A lógica é bem simples quando voce separa as palavras por função histórica e geográfica, sem cair no truque de achar que tudo é nome de lugar ou de gente. Em provas da FGV, esse tipo de item costuma cobrar vocabulário histórico-regional e relações entre economia, circulação e povoamento. Vale lembrar que o tropeirismo foi decisivo na ocupação do interior sulista e na articulação de mercados, especialmente nos séculos XVIII e XIX.