Leia o fragmento a seguir. A Ilha do Bananal está situada entre os estados de Tocantins e Mato Grosso, cabendo sua jurisdição ao Estado do Tocantins, com uma área de aproximadamente 2 milhões de hectares. É considerada a maior ilha fluvial do mundo, com uma rica biodiversidade, mas tem se tornado objeto de disputas e conflitos entre ambientalistas, produtores rurais, representantes das comunidades indígenas e representantes dos poderes públicos. Fonte: https://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br (Adaptado) Sobre os conflitos que envolvem a Ilha do Bananal, assinale a afirmativa correta.
- A)A ilha abriga o Parque Nacional do Araguaia, cuja fiscalização é da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), pois preserva as condições ambientais associadas à cultura indígena, gerando uma tensão com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA).
Errada: a fiscalização de unidades de conservação é do órgão ambiental competente, e a FUNAI não faz a gestão do Parque Nacional do Araguaia como a alternativa afirma.
- B)As principais etnias indígenas presentes na ilha, os AváCanoeiros, os Javaé e os Karajás, lutam pela integridade do território que ocupam, exigindo participar da gestão dos recursos gerados pelo uso da rodovia Transbananal.
Errada: os Avá-Canoeiros não são as etnias principais da Ilha do Bananal, e a chamada Transbananal não é o eixo central desse conflito.
- C)A retirada massiva de água do Javaés, para o controle de poeira gerada pela extração de minério nas adjacências, acelera o processo de assoreamento do rio e impacta as dimensões da ilha, alimentando os protestos de ambientalistas.
Errada: a justificativa sobre retirada de água do Javaés para controle de poeira da mineração não corresponde ao conflito conhecido da ilha.
- D)A biodiversidade da Ilha do Bananal deve-se à sua localização em uma área de transição entre a Floresta Amazônica, a Caatinga e o Pantanal, motivo pelo qual ativistas reivindicam o ingresso dessa região na Amazônia Legal, contrariando o posicionamento da agroindústria.
Errada: a Ilha do Bananal não fica em área de transição entre Amazônia, Caatinga e Pantanal, e o debate sobre Amazônia Legal não é o ponto central aqui.
- E)Indigenistas e ambientalistas denunciam a ameaça à integridade física e cultural dos povos originários representada pela penetração de criadores de gado, com arrendamento de pastos, queimadas e instalação de retiros.
Certa: o conflito envolve a pressão da pecuária sobre território indígena, com arrendamento de pastos, queimadas e outras práticas que ameaçam os povos originários.
Gabarito: E
A Ilha do Bananal é um espaço muito especial do Tocantins: enorme, rico em biodiversidade e, ao mesmo tempo, palco de disputa de interesses. Quando um lugar assim reúne terras indígenas, áreas ambientalmente sensíveis e pressão econômica, o conflito aparece quase como um roteiro conhecido. No caso da ilha, o problema central não é uma rodovia mirabolante nem mineração de filme, mas a expansão de atividades agropecuárias dentro e ao redor do território tradicionalmente ocupado por povos indígenas. É por isso que a alternativa correta fala da presença de criadores de gado, arrendamento de pastos, queimadas e instalação de retiros. Esses fatores pressionam o território, degradam o ambiente e ameaçam tanto a integridade física quanto a cultural dos povos originários. A Constituição de 1988, nos arts. 231 e 232, protege os direitos dos povos indígenas sobre as terras que tradicionalmente ocupam, e o Estatuto do Índio e a legislação ambiental reforçam a proteção dessas áreas. Na prática, o conflito envolve duas dimensões que andam juntas: a ambiental e a territorial. Quando há ocupação irregular, manejo inadequado do fogo e exploração econômica em área indígena, o dano não é só ecológico. Ele mexe com modo de vida, circulação, caça, pesca, rituais e até com a autonomia das comunidades. Em temas de Tocantins, a FGV costuma cobrar exatamente essa leitura: território indígena não é “terra vazia”, é espaço de vida, memória e direito. Então, ao ler o enunciado, pense assim: Ilha do Bananal = riqueza natural + território indígena + pressão do agronegócio. Se a alternativa fala em ameaças por gado, pasto arrendado e queimadas, ela está falando a língua do conflito real.