“Todo o procedimento para se trabalhar a cartografia, ou suas noções básicas nas séries iniciais, enfatiza o trabalho da criança em um processo no qual ela realmente participa, para assim melhor compreender a representação do espaço.” Maria Elena Simielli. O mapa como meio de comunicação e a alfabetização cartográfica. ALMEIDA, Rosângela Doin de (Org.). Cartografia Escolar. São Paulo: Contexto, 2008. Com relação aos diferentes itens concernentes à alfabetização cartográfica, analise as afirmativas a seguir I. A visão vertical diferencia-se da visão lateral, que se tem no dia-a-dia, por apresentar maior nível de abstração, motivo pelo qual a dificuldade no trabalho com a faixa etária mais jovem é maior. II. A passagem do espaço concreto da realidade tridimensional para o espaço bidimensional pode ser alcançada, no processo de representação espacial, com a confecção de maquetes e, posteriormente, com a elaboração de plantas. III. A estruturação da legenda inicia-se com a observação e identificação para, posteriormente, hierarquizar, selecionar, generalizar e agrupar elementos que serão representados. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A opção restringe a resposta à afirmativa I, que de fato está correta ao apontar que a visão vertical, típica da cartografia, exige maior abstração do que a visão lateral do cotidiano, especialmente para crianças menores. O problema é que as afirmativas II e III também estão corretas: a maquete é um recurso de transição do tridimensional para o bidimensional, e a legenda se organiza a partir de observação, seleção e hierarquização dos elementos. Assim, a alternativa fica incompleta.
- B)II, apenas.
Aqui se valoriza apenas a afirmativa II, que está correta ao indicar a maquete como etapa intermediária para chegar à planta, isto é, da realidade tridimensional para a representação bidimensional. Entretanto, a visão vertical descrita em I também é própria da alfabetização cartográfica e a estruturação da legenda em III segue o encadeamento técnico de observação, identificação, seleção e generalização. Por isso, a resposta não pode se limitar a II.
- C)I e II, apenas.
A alternativa reúne I e II, e ambas realmente correspondem a noções clássicas da alfabetização cartográfica: a visão vertical é mais abstrata que a lateral, e a maquete ajuda na passagem do espaço real para a planta. O erro está em excluir III, pois a montagem da legenda também faz parte do processo e se baseia em observar, identificar, selecionar, hierarquizar e agrupar os elementos representados. Logo, o conjunto correto é mais amplo.
- D)I e III, apenas.
A alternativa traz I e III, que estão corretas: a visão vertical exige maior abstração e a legenda nasce do trabalho de observação, identificação e organização dos elementos do mapa. O ponto falho é desconsiderar a afirmativa II, que também está certa ao usar a maquete como mediação pedagógica entre o espaço tridimensional e a planta bidimensional. Faltando II, a combinação deixa de contemplar uma etapa central da representação espacial.
- E)I, II e III.
A alternativa sintetiza corretamente as três ideias. I está certa porque a visão vertical, própria do mapa, é mais abstrata que a visão lateral do cotidiano; II está certa porque a maquete funciona como passagem pedagógica do tridimensional para o bidimensional, culminando na planta; III também está certa, pois a legenda é construída a partir de observação, identificação, seleção, hierarquização, generalização e agrupamento dos elementos. Por isso, o conjunto I, II e III é o gabarito.
Gabarito: E
A alfabetização cartográfica começa antes do mapa pronto: ela passa pela construção da noção de espaço, da leitura de formas e da passagem do vivido para a representação. Por isso, a criança precisa manipular, observar e comparar, e não só decorar símbolos. Na prática, a visão vertical é mais abstrata que a visão lateral, então exige mais esforço de compreensão, especialmente nos anos iniciais. Também faz sentido o uso de maquetes, porque elas ajudam a transformar o espaço tridimensional da realidade em uma representação mais organizada e, depois, facilitam a ida para desenhos planos, como plantas e mapas. É um caminho didático clássico na cartografia escolar: do concreto para o abstrato, sem atropelar etapas. Outro ponto importante é a legenda. Ela não aparece do nada, como se fosse enfeite de mapa. Primeiro a criança observa e identifica os elementos do espaço; depois aprende a selecionar, hierarquizar, generalizar e agrupar o que será representado. Isso é exatamente o raciocínio cartográfico que a questão cobra. Por isso, o gabarito é a letra E: as três afirmativas estão corretas. A abordagem está alinhada à cartografia escolar defendida por autores como Maria Elena Simielli, muito usada pela FGV quando o assunto é alfabetização cartográfica.