Queixada não se sentia bem, e não era apenas por causa do desespero da fome (...) Começou a desfilar pelos bailes com tênis de marca e a ter dinheiro para fazer compras para a mãe (...) Até uma semana atrás, era da facção da Dona Peituda, que dominava nosso lado da linha do trem. Nunca mandava, só obedecia, mas cumpria muito bem as obrigações. Vigiava as fronteiras, fazia algumas cobranças e, de vez em quando, ajudava a punir alguém. SENRA, Álvaro. Éden. Rio de Janeiro: Letras, 2022. p.15 A partir da análise da situação urbana exposta no texto, numa aula de geografia o professor explicou que as ações dos personagens remetem ao conceito geográfico de
- A)gentrificação.
Errada, porque gentrificação é valorização e substituição social de áreas urbanas, e o texto fala de domínio e controle, não de renovação urbana.
- B)segregação.
Errada, porque segregação é separação socioespacial de grupos, mas o foco do enunciado está na apropriação e no comando de uma área.
- C)território.
Certa, porque o trecho mostra um espaço controlado por um grupo, com fronteiras, vigilância e poder sobre a área.
- D)região.
Errada, porque região é uma área delimitada por algum critério de semelhança ou organização, não necessariamente por poder e domínio.
- E)lugar.
Errada, porque lugar remete à vivência, identidade e experiência do espaço, e o texto destaca relação de controle territorial.
Gabarito: C
O texto mostra um recorte da cidade em que existe controle de um grupo sobre uma área, com regras próprias, vigilância, cobrança e punição. Isso é bem a cara de território: um espaço apropriado por alguém ou por algum grupo, marcado por relações de poder, domínio e controle. Em Geografia, território não é só o pedaço de chão; é o espaço usado e disputado, com comando e fronteiras, mesmo que informais. Perceba que a narrativa fala em "dominar nosso lado da linha do trem", "vigiar as fronteiras" e "fazer cobranças". Esses elementos apontam para territorialidade, isto é, a forma como um agente controla e organiza um espaço. Na vida urbana, isso pode acontecer tanto pelo Estado quanto por facções, milícias, grupos locais ou até redes econômicas. Por isso o gabarito é a letra C. O conceito encaixa porque há controle espacial e exercício de poder sobre uma área definida. Em linguagem de prova, território é o espaço socialmente apropriado, com limites e autoridade, não apenas um endereço no mapa. Se você pensar em cidade, lembre: quando aparece domínio, disputa, fronteira, controle e regra, o cheiro é de território. Já quando a ideia é apenas "onde fica" ou "como é a área", o raciocínio muda. Aqui, o texto faz a cidade virar tabuleiro de poder, e não só cenário.