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Geografia · FGV · 2023

Questão comentada de Geografia

(...) Uma guerra sempre avança a tecnologia Mesmo sendo guerra santa, quente, morna ou fria Pra que exportar comida Se as armas dão mais lucros na exportação? Existe alguém que está contando com você Pra lutar em seu lugar Já que nessa guerra Não é ele quem vai morrer E quando longe de casa, ferido e com frio O inimigo você espera Ele estará com outros velhos Inventando novos jogos de guerra Que belíssimas cenas de destruição Não teremos mais problemas Com a superpopulação (...) RUSSO, Renato. Legião Urbana: Música para acampamento. Rio de Janeiro: EMI, 1992. 2 CD (90 mim) A letra da canção pode ser considerada um posicionamento político e socioeconômico de seu autor, ao criticar

Gabarito: C

A canção critica a lógica da guerra como negócio: em vez de ser vista como tragédia humana, ela aparece como um mercado que movimenta tecnologia, lucro e interesses de grupos econômicos. Repare na ironia da letra: enquanto muita gente morre, há quem ganhe dinheiro com a produção e a venda de armas. Isso é bem típico da indústria bélica, que lucra com conflitos e com a corrida armamentista. O texto também faz uma provocação sobre a ideia de que guerras resolveriam problemas sociais, como a superpopulação. Essa visão conversa com discursos malthusianos, que associam crescimento populacional a escassez e crise, defendendo que a natureza ou as guerras fariam uma “seleção”. Só que a música faz isso de forma crítica, mostrando o lado desumano dessa lógica. Por isso, o gabarito é a letra C. A canção ataca os atores ligados à indústria bélica, que lucram com a guerra, e também ironiza os ideais malthusianos, especialmente a noção de que a população “excedente” poderia ser controlada por catástrofes. Em prova, quando aparecer guerra + lucro + arma + superpopulação, acenda a luz amarela: a banca quer sua leitura crítica do conflito como fenômeno econômico e ideológico.

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