(...) Uma guerra sempre avança a tecnologia Mesmo sendo guerra santa, quente, morna ou fria Pra que exportar comida Se as armas dão mais lucros na exportação? Existe alguém que está contando com você Pra lutar em seu lugar Já que nessa guerra Não é ele quem vai morrer E quando longe de casa, ferido e com frio O inimigo você espera Ele estará com outros velhos Inventando novos jogos de guerra Que belíssimas cenas de destruição Não teremos mais problemas Com a superpopulação (...) RUSSO, Renato. Legião Urbana: Música para acampamento. Rio de Janeiro: EMI, 1992. 2 CD (90 mim) A letra da canção pode ser considerada um posicionamento político e socioeconômico de seu autor, ao criticar
- A)as guerras nucleares e os pressupostos neomalthusianos.
Errada, porque a letra não trata de guerra nuclear em si, mas da lógica econômica da guerra e da crítica à ideia de controle populacional.
- B)o rompimento de alianças estratégicas e os ideais reformistas.
Errada, porque não há foco em rompimento de alianças ou ideais reformistas, e sim na crítica ao lucro com a guerra e à visão demográfica simplista.
- C)os atores ligados à indústria bélica e os ideais malthusianos.
Certa, porque a música denuncia os lucros da indústria bélica e ironiza a visão malthusiana de que a guerra poderia “resolver” o problema da população.
- D)a evolução tecnológica das armas e as concepções ecomalthusianas.
Errada, porque a letra critica a tecnologia usada para matar e o discurso populacional, mas o termo ecomalthusiano não é o melhor encaixe aqui.
- E)a destruição de cidades com perdas de vidas e as teorias marxistas.
Errada, porque o texto não está centrado em destruição urbana nem em teoria marxista; o alvo principal é a indústria das armas e a lógica malthusiana.
Gabarito: C
A canção critica a lógica da guerra como negócio: em vez de ser vista como tragédia humana, ela aparece como um mercado que movimenta tecnologia, lucro e interesses de grupos econômicos. Repare na ironia da letra: enquanto muita gente morre, há quem ganhe dinheiro com a produção e a venda de armas. Isso é bem típico da indústria bélica, que lucra com conflitos e com a corrida armamentista. O texto também faz uma provocação sobre a ideia de que guerras resolveriam problemas sociais, como a superpopulação. Essa visão conversa com discursos malthusianos, que associam crescimento populacional a escassez e crise, defendendo que a natureza ou as guerras fariam uma “seleção”. Só que a música faz isso de forma crítica, mostrando o lado desumano dessa lógica. Por isso, o gabarito é a letra C. A canção ataca os atores ligados à indústria bélica, que lucram com a guerra, e também ironiza os ideais malthusianos, especialmente a noção de que a população “excedente” poderia ser controlada por catástrofes. Em prova, quando aparecer guerra + lucro + arma + superpopulação, acenda a luz amarela: a banca quer sua leitura crítica do conflito como fenômeno econômico e ideológico.