Leia o fragmento a seguir. Armand Frémont pretende renovar e revalorizar o estudo das regiões sob o ângulo do _______, isto é, considerando o espaço como uma dimensão da experiência humana dos lugares. Há, portanto, com a geografia humanista, a valorização de uma dimensão frequentemente esquecida pela _______, que trata o espaço como simples extensão ou como conjunto de entidades físicas puras e desconsidera o fato de que o espaço é cotidianamente apropriado pelos grupos que nele habitam e lhe conferem dimensões simbólicas e estéticas. Assim, Frémont se voltou então, para o passado, e recomendou um retorno ao antigo _______ que tinha caracterizado a escola francesa de geografia desenvolvida por Paul Vidal de Blache. GOMES, Paulo C. C. Geografia e Modernidade. Bertrand Brasil: Rio de Janeiro, 1996. (Adaptado) Em relação à abordagem geográfica proposta pelo geógrafo francês Armand Frémont, assinale a opção cujos termos completam corretamente as lacunas do fragmento acima.
- A)terreno – geografia clássica – método regional
Errada, porque "terreno" não expressa a noção humanista de experiência vivida, e "geografia clássica" e "método regional" não correspondem ao vocabulário específico usado por Frémont no fragmento.
- B)lugar – geografia radical – método crítico
Errada, porque Frémont não é da geografia radical nem defende método crítico; sua proposta é humanista e ligada ao espaço vivido.
- C)território – geografia humana – método comparativo
Errada, porque "território" não é a categoria central do texto, e a retomada da escola vidaliana não se faz pelo método comparativo, mas pelo método monográfico.
- D)espaço vivido – geografia racionalista – método monográfico
Certa, porque Frémont trabalha com a ideia de "espaço vivido", critica a geografia racionalista e retoma o método monográfico associado à tradição francesa de Vidal de Blache.
Gabarito: D
Armand Frémont é um nome muito associado à geografia humanista, aquela que olha para o espaço não como um mapa frio e geométrico, mas como algo vivido pelas pessoas no cotidiano. Nesse enfoque, o que importa não é só a localização ou a forma do relevo, mas também os sentidos, lembranças, afetos e usos que os grupos atribuem aos lugares. Por isso, a expressão que completa a primeira lacuna é "espaço vivido". Frémont queria valorizar justamente essa dimensão da experiência humana, que a geografia mais racionalista costuma deixar em segundo plano quando trata o espaço como algo apenas mensurável e objetivo. A segunda lacuna aponta para a crítica à geografia racionalista, que tende a reduzir o espaço a uma leitura técnica e abstrata. Já a terceira remete ao método monográfico, muito ligado à escola francesa de Paul Vidal de Blache, que estudava regiões de forma detalhada, com forte atenção ao particular e ao singular de cada área. Em resumo: Frémont recupera a sensibilidade da geografia humanista e dialoga com a tradição vidaliana, mas agora destacando o espaço como experiência vivida. É aquele tipo de ideia que lembra que lugar não é só ponto no mapa - é também vida, memória e significado.