Em seu livro “Pensar pela Geografia: ensino e relevância social” (2019), Lana de Souza Cavalcanti propõe um percurso didático para a mediação no ensino de Geografia. Nesse percurso a atividade de aula é considerada o centro do trabalho (podendo ser uma hora-aula na escola ou várias aulas) e tem como referência uma unidade de conteúdo, com começo, meio e fim. O percurso didático é um processo não linear e suas dimensões devem ser compreendidas como partes articuladas de um todo. As três dimensões do percurso didático proposto por Lana Cavalcanti (2019) consistem nas ações de
- A)memorizar, analisar e aplicar.
Errada, porque memorizar, analisar e aplicar não correspondem ao tripé didático proposto por Lana Cavalcanti para o percurso da aula.
- B)observar, enunciar e interpretar.
Errada, porque observar, enunciar e interpretar não são as três dimensões nomeadas pela autora no percurso didático.
- C)enumerar, classificar e reproduzir.
Errada, porque enumerar, classificar e reproduzir remetem a práticas mais conteudistas e não ao modelo indicado por Cavalcanti.
- D)mensurar, modelizar e compatibilizar.
Errada, porque mensurar, modelizar e compatibilizar não fazem parte da formulação teórica do percurso didático em questão.
- E)problematizar, sistematizar e sintetizar.
Certa, porque a autora organiza o percurso didático em problematizar, sistematizar e sintetizar.
Gabarito: E
Lana de Souza Cavalcanti propõe, no ensino de Geografia, um percurso didático em que a aula não é um amontoado de atividades soltas, mas um processo com sentido, organizado em torno de uma unidade de conteúdo. A ideia é que o estudante vá avançando de forma articulada, saindo do contato inicial com o tema, passando pela organização do que foi aprendido e chegando a uma compreensão mais elaborada. Nesse percurso, as três dimensões são problematizar, sistematizar e sintetizar. Primeiro, você problematiza: parte de uma questão, situação ou desafio que dá motivo para estudar o conteúdo. Depois, sistematiza: organiza conceitos, relações e informações, ajudando a construir explicações mais consistentes. Por fim, sintetiza: retoma o que foi aprendido, integra as ideias principais e produz uma visão mais geral e significativa. Perceba que não é um caminho mecânico nem linear como uma receita de bolo. As dimensões se articulam e podem se cruzar durante a aula, mas a lógica pedagógica é essa: provocar a curiosidade, organizar o conhecimento e consolidar a aprendizagem. É uma proposta bem alinhada à tradição crítica do ensino de Geografia, em que aprender não é decorar nomes de lugares, e sim compreender relações espaciais e sociais. Por isso, o gabarito é a letra E. A banca cobra exatamente esse tripé proposto por Cavalcanti, que valoriza a construção do conhecimento geográfico pela mediação do professor e pela participação ativa do aluno, e não por mera memorização.