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Geografia · FGV · 2023

Questão comentada de Geografia

Ao pesquisar a história de Jaboatão dos Guararapes, município em que estudam, os alunos descobriram que a origem do nome “Jaboatão” é indígena e que “Guararapes” refere-se à batalha travada contra o domínio holandês no século XVII, perto dos Montes Guararapes. O povoado de Jaboatão foi constituído no final do século XVI na confluência de dois rios (Jaboatão e Duas Unas) e cresceu pela expulsão dos índios Caetés, considerados responsáveis por devorar o primeiro bispo do Brasil, Dom Pero Fernandes Sardinha. Uma vez expulsas as tribos indígenas, as terras foram ocupadas com engenhos de açúcar, responsáveis pela riqueza da região durante o período colonial. Adaptado de https://jaboatao.pe.gov.br/jaboatao-dos-guararapes/ Após a pesquisa, em roda de conversa, o docente solicita que os alunos reflitam sobre a história de Jaboatão do ponto de vista indígena e considerem as seguintes afirmações: I. A riqueza da produção açucareira foi possível pela tomada das terras dos Caetés, depois concedidas na forma de sesmarias a fidalgos portugueses. II. O canibalismo indígena gerava terror entre os europeus, pois era comum os Caetés se alimentarem de carne humana quando a caça era infrutífera. III. Contingentes de índios participaram da Batalha dos Guararapes, tanto aliados das forças holandesas como das portuguesas, em função de seus interesses específicos. Está correto o que se afirma em

Gabarito: D

Para entender a história de Jaboatão dos Guararapes, você precisa olhar para o processo colonial sem filtro de cartão-postal. A região foi ocupada pelos portugueses por meio da expulsão de povos indígenas, especialmente os Caetés, e depois reorganizada em grandes propriedades rurais, as sesmarias, voltadas ao açúcar. Ou seja: primeiro vem a tomada da terra, depois a plantation de engenho, e a riqueza colonial aparece em cima dessa reorganização violenta do território. A afirmação I está correta porque descreve exatamente esse mecanismo: terras indígenas foram apropriadas e concedidas a fidalgos e colonos portugueses, o que favoreceu a expansão dos engenhos. Isso é bem típico da colonização luso-brasileira: pouca terra para muitos e muita terra para poucos. A afirmação II é a problemática. O tema do canibalismo foi muito usado pelos europeus para justificar a violência contra os indígenas, mas afirmar que era comum aos Caetés se alimentar de carne humana quando a caça era infrutífera é uma generalização simplificadora e carregada de estereótipo. Em história indígena, a banca costuma cobrar cautela com essas narrativas, porque muitas vieram de relatos coloniais interessados em demonizar os povos nativos. A afirmação III está correta porque os povos indígenas não foram espectadores passivos da Batalha dos Guararapes. Havia grupos indígenas atuando dos dois lados, conforme seus próprios interesses e alianças políticas no contexto da guerra luso-holandesa. Então o gabarito D fica certo: I e III são verdadeiras, e a II não se sustenta do jeito que foi formulada.

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