“O empreendimento econômico desenvolvido, a partir de 1967, pelo empresário norte-americano Daniel Keith Ludwig, estava localizado na confluência dos rios Jari e Amazonas, abrangendo terras do Pará e do Amapá. O projeto Jari foi planejado para funcionar como um complexo econômico de grandes dimensões, envolvendo atividades industriais, agrícolas e de extração mineral e vegetal”. Fonte: CPDOC – FGV. (Adaptado) O projeto Jari pode ser caracterizado como
- A)um projeto estatizante.
Errada, porque o Projeto Jari foi uma iniciativa privada, não um projeto conduzido pelo Estado como estatizante.
- B)uma economia extrativista.
Errada, porque o texto descreve um complexo com indústria, agricultura e mineração, e não apenas uma economia baseada na extração.
- C)uma economia de “enclave”.
Certa, porque o Projeto Jari é um exemplo de economia de enclave: grande capital externo, baixa integração com a economia regional e funcionamento quase isolado do entorno.
- D)Um projeto autossustentado.
Errada, porque o empreendimento enfrentou muitos limites e não se consolidou como um modelo plenamente autossustentado.
- E)um programa desenvolvimentista.
Errada, porque, embora tivesse discurso de modernização, o traço definidor pedido pela questão é a condição de enclave, e não um programa desenvolvimentista estatal.
Gabarito: C
O Projeto Jari foi uma grande iniciativa privada idealizada pelo empresário Daniel Ludwig na região de fronteira entre Pará e Amapá, com promessa de integrar indústria, agropecuária e exploração vegetal e mineral. Na teoria, parecia um “superprojeto” capaz de transformar a área num polo econômico moderno. Na prática, ele esbarrou em problemas logísticos, ambientais, sociais e na dificuldade de controlar um empreendimento tão isolado e dependente de infraestrutura externa. É justamente aí que entra a ideia de economia de enclave. Em geografia econômica, um enclave é um empreendimento implantado em uma área específica, pouco articulado com a economia local e muitas vezes voltado para interesses externos, com baixa integração territorial. Ou seja, ele funciona como uma ilha econômica: produz muito, movimenta capital, mas nem sempre gera encadeamentos fortes com o entorno. No caso do Jari, o projeto não se comportava como uma economia tradicionalmente integrada ao território amapaense ou paraense. Ele tinha forte comando externo, grande concentração de capital e baixa articulação com a estrutura produtiva regional, o que é bem típico de enclave. Por isso, o gabarito correto é a alternativa C. Em provas, a FGV costuma cobrar esse tipo de leitura crítica dos grandes projetos na Amazônia: mais importante do que o nome bonito do empreendimento é perceber se ele integra a região ou se fica “plantado” ali como um corpo estranho. No Jari, a cara era de modernização; a lógica, de enclave.