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Geografia · FGV · 2022

Questão comentada de Geografia

No antigo Estado do Maranhão e Grão Pará, a mão de obra indígena representou a principal força de trabalho nos séculos XVII e XVIII. A respeito do recrutamento da força de trabalho indígena na Amazônia colonial, leia o trecho a seguir. “Constante e incentivada ao longo da colonização (desde o Regimento de Tomé de Sousa de 1547 até o Diretório Pombalino de 1757), essa forma de arregimentar mão de obra indígena era concebida como deslocamento de povos inteiros para novas aldeias próximas aos estabelecimentos portugueses. Deviam resultar da persuasão exercida por tropas lideradas ou acompanhadas por um missionário, sem qualquer tipo de violência. Tratava-se de convencer os índios do “sertão” de que era de seu interesse aldear-se junto aos portugueses, para sua própria proteção e bem-estar.” (Adaptado de CUNHA, Manuela Carneiro da (org.). História dos índios. São Paulo: Cia das Letras, 1992, p. 118.) O trecho descreve uma forma de arregimentar mão de obra indígena conhecida como

Gabarito: B

Na colonização da Amazônia, a Coroa portuguesa usou várias formas de obter mão de obra indígena, e cada uma tinha um nome bem específico. A questão descreve o deslocamento de povos inteiros para aldeias próximas aos núcleos portugueses, feito por persuasão, geralmente com apoio de missionários, sem a ideia de captura violenta. Isso é exatamente o que se chama de descimento. O ponto central aqui é que o indígena era “trazido de baixo”, isto é, do interior do território para áreas mais próximas da ocupação colonial. O objetivo era concentrar a população indígena em aldeamentos, facilitando catequese, controle e uso da força de trabalho. Em teoria, a prática seria voluntária e pacífica; na realidade, muitas vezes a fronteira entre persuasão e coerção era bem fina. Por isso, a alternativa B está correta: o trecho descreve o descimento, uma política colonial bastante usada no Estado do Maranhão e Grão-Pará. Ela foi incentivada em diferentes momentos da colonização, inclusive no período pombalino, quando a reorganização das aldeias indígenas ganhou novo impulso administrativo. Para não confundir: repartição era a distribuição da mão de obra indígena, resgate envolvia a obtenção de indígenas por compra ou “salvamento” de cativeiro, guerra justa legitimava a escravização após conflito considerado autorizado, e aldeamento era o local de concentração, não o nome do recrutamento em si.

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