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Geografia · FGV · 2022

Questão comentada de Geografia

Em novembro de 1955, os membros do Clube da Madrugada publicaram seu Manifesto: “O Manifesto Madrugada, partindo do status quo, mediante constatação de que as atividades culturais, no Amazonas, sofriam um atraso de meio século, radicaliza em vários pontos o comportamento intelectual de seus afoitos signatários, que o redigiram numa hora de entusiasmo (...). Urgia, pois, fazer um manifesto.” (TUFIC, J. Clube da Madrugada: 30 anos. Manaus: Imprensa Oficial do Estado, 1984, pp. 27-28.) A respeito das atividades dos “madrugadores” nos vários campos culturais, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: D

O Clube da Madrugada foi um movimento cultural amazonense surgido em Manaus, em meados dos anos 1950, com a proposta de sacudir a cena artística local e romper com o atraso que os próprios integrantes denunciavam no Manifesto de 1955. A ideia era modernizar a produção cultural, aproximando literatura, artes plásticas, música e crítica de arte de uma linguagem mais atual e menos provinciana. Nesse contexto, os “madrugadores” não ficaram presos a espaços tradicionais nem a um circuito elitizado de salão fechado. Eles usaram os meios de comunicação disponíveis na época para divulgar suas atividades e ampliar o alcance do movimento. Isso incluía imprensa, programas de rádio e até recursos audiovisuais em eventos e exposições, o que combina muito bem com o espírito moderno e experimental do grupo. Por isso, a alternativa D está correta: ela traduz a forma como o Clube da Madrugada divulgava e dinamizava sua atuação cultural, aproveitando ferramentas da modernidade para difundir arte e debate. Em vez de um movimento isolado, era uma intervenção ativa na vida cultural de Manaus. As demais alternativas misturam elementos que não correspondem ao movimento: não havia subordinação ao PCB, nem vínculo com a Academia Amazonense de Letras como projeto institucional, e tampouco uma recusa automática dos referenciais modernistas em favor apenas de mitos indígenas. A banca costuma cobrar exatamente isso: a diferença entre um modernismo regional amazônico e caricaturas simplificadas do movimento.

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