No século XVII, a principal estratégia adotada pela Coroa portuguesa para garantir a sujeição dos grupos indígenas e o controle territorial do vale amazônico consistiu
- A)na demarcação de fronteiras nos divisores da bacia amazônica.
Errada, porque a demarcação formal de fronteiras é um processo mais tardio, ligado à diplomacia de limites e não à principal estratégia do século XVII.
- B)na integração do Estado do Maranhão e do Grão-Pará ao Estado do Brasil.
Errada, porque a integração administrativa do Estado do Maranhão e do Grão-Pará ao Estado do Brasil não foi a medida central usada para subjugar indígenas e controlar o vale amazônico.
- C)no envio de contingentes militares para a anexação de territórios indígenas.
Errada, porque o controle português na Amazônia se apoiou mais em missões e aldeamentos do que em grande envio de contingentes militares para anexação direta.
- D)na promoção das aldeias indígenas distantes da costa ao estatuto de vila.
Errada, porque a elevação de aldeias ao estatuto de vila não foi a estratégia principal do século XVII para assegurar sujeição indígena e domínio territorial.
- E)no envio de ordens religiosas para a criação de estabelecimentos missionários.
Certa, porque o envio de ordens religiosas para criar missões foi o instrumento mais usado pela Coroa portuguesa para catequizar, controlar e fixar presença no vale amazônico.
Gabarito: E
No século XVII, a Coroa portuguesa ainda estava tentando “segurar” a Amazônia na prática, e isso não era feito com fronteiras bem desenhadas no mapa, porque esse tempo ainda não era de linha reta e régua diplomática. A prioridade era ocupar, conhecer e controlar o território, sobretudo por meio da presença permanente em pontos estratégicos do vale amazônico. Nesse contexto, as ordens religiosas tiveram papel central. Missionários, como jesuítas, carmelitas e outras ordens, reuniam os indígenas em aldeamentos e missões, que funcionavam como núcleos de catequese, trabalho e vigilância. Na prática, essas unidades ajudavam a sujeitar os grupos indígenas e a afirmar a presença portuguesa em áreas distantes da costa. Por isso, o gabarito é a letra E. As missões religiosas não eram só espaços de evangelização: também eram instrumentos de controle territorial e de reorganização da ocupação colonial. É aquele velho movimento colonial: catequiza, fixa população e marca presença. A historiografia sobre a Amazônia colonial destaca exatamente esse uso político das missões na consolidação do domínio português. As outras alternativas tentam jogar para momentos ou estratégias diferentes, mas no século XVII o centro da política amazônica portuguesa foi a ocupação missionária. Antes de fronteira na caneta, havia aldeamento no chão.