Entre os produtos oriundos da selva, o que marcou profundamente a economia da região amazônica desde meados do século XIX foi a borracha. As afirmativas a seguir indicam corretamente as condições que propiciariam o desenvolvimento da atividade gomífera na região, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)A implantação de um sistema de transporte a vapor para interligar o interior com Belém e com a Europa.
Correta, porque a navegação a vapor foi decisiva para integrar o interior amazônico a Belém e ao circuito exportador internacional.
- B)A instalação de casas aviadoras para fornecer o crédito necessário para abastecer os seringais.
Correta, porque as casas aviadoras forneciam crédito, mercadorias e adiantamentos que sustentavam o funcionamento dos seringais.
- C)A reforma das cidades portuárias de Belém e Manaus para melhorar o escoamento do produto.
Correta, porque a reforma de Belém e Manaus facilitou o escoamento e acompanhou a modernização urbana ligada à borracha.
- D)A atuação de firmas importadoras-exportadoras para conectar a Amazônia ao comércio internacional.
Correta, porque firmas importadoras-exportadoras articulavam a economia amazônica ao comércio internacional e à circulação de mercadorias.
- E)A criação de uma ferrovia para facilitar o afluxo de mão de obra nordestina para os seringais.
Errada, porque a borracha não dependia de ferrovia para trazer trabalhadores nordestinos aos seringais; a logística regional era essencialmente fluvial.
Gabarito: E
A chamada economia da borracha, no ciclo da borracha, ganhou força na Amazônia a partir de meados do século XIX porque a região foi integrada ao mercado internacional por uma combinação de fatores logísticos, financeiros e urbanos. Não bastava extrair o látex na floresta: era preciso transportar, creditar, importar mercadorias e escoar tudo com rapidez até os portos, especialmente Belém e Manaus. Nesse contexto, o transporte a vapor ajudou a ligar o interior aos centros exportadores e ao comércio com a Europa, as casas aviadoras antecipavam crédito e mercadorias aos seringalistas, e firmas importadoras-exportadoras conectavam a Amazônia às redes do capitalismo comercial. Além disso, a modernização de Belém e Manaus funcionou como vitrine e apoio ao escoamento da produção, com portos e infraestrutura mais adequados. A alternativa errada é a que fala em ferrovia para levar mão de obra nordestina aos seringais. A Amazônia não se desenvolveu por uma malha ferroviária de recrutamento de trabalhadores; a ocupação e o deslocamento ocorreram sobretudo pelos rios, pela navegação a vapor e por redes de aviamento. Em outras palavras: na floresta, o rio mandava mais que os trilhos. Esse tema é clássico de história econômica da Amazônia e costuma aparecer em provas como uma leitura das condições materiais do ciclo da borracha, não de uma lei específica. O raciocínio é reconhecer o conjunto de mecanismos que permitiu a exportação gomífera e perceber quando a banca insere um elemento anacrônico.