Em Manaus, em 1954, é criado o Clube da Madrugada que produziu iniciativas como a Poesia de Muro, cujo Poema-slogan, criado por Aluísio Sampaio, é lançado em 1966: FALA O HOMEM PARA O MURO FALA O MURO PARA O HOMEM (Poema-Slogan, in O Jornal, Suplemento Madrugada, 04.09.1966) A respeito do Clube da Madrugada e do seu projeto literário Poesia de Muro, assinale a afirmativa correta.
- A)É um movimento político libertário, protagonizado por escritores populares sem formação acadêmica.
Errada: o Clube da Madrugada não foi um movimento político libertário nem se caracterizou por ser formado apenas por escritores sem formação acadêmica.
- B)Parte da necessidade de conduzir a poesia às ruas, ao povo, como fazia-se com o teatro, as artes plásticas e a música.
Certa: a Poesia de Muro buscava levar a poesia às ruas e ao público, dialogando com a cidade e com outras artes.
- C)Valoriza o folclore regional e a tradição muralista e ceramista indígena, como a produzida pela cultura marajoara.
Errada: embora dialogue com identidades regionais, o projeto não se define pela valorização da cultura marajoara nem por uma tradição ceramista indígena específica.
- D)Resulta dos desdobramentos modernistas em âmbito regional, superando o paradigma da poesia concreta.
Errada: o Clube da Madrugada se relaciona com desdobramentos modernistas regionais, mas não pode ser descrito como superação da poesia concreta.
- E)Segue a estrutura em sonetos alexandrinos no plano formal, em consonância com as vanguardas do resto do país.
Errada: a proposta não segue rigidez formal de sonetos alexandrinos; ao contrário, aposta em uma linguagem de intervenção e circulação pública.
Gabarito: B
O Clube da Madrugada foi um dos principais movimentos culturais do Amazonas, surgido em Manaus em 1954, com forte impulso modernista e espírito de renovação artística. Ele não ficou preso a uma literatura de gabinete: queria aproximar a criação do cotidiano da cidade, das ruas e do debate público, dialogando com outras artes e com a vida urbana. Dentro desse projeto, a chamada Poesia de Muro foi justamente uma tentativa de levar o poema para fora do livro e colocá-lo em contato direto com as pessoas, nos muros da cidade. A ideia era fazer a poesia circular como imagem pública, quase como um grito visual, algo que combina bem com o poema-slogan de Aluísio Sampaio: uma fala que vai do homem ao muro e do muro de volta ao homem. Por isso, o gabarito correto é a alternativa B. Ela capta a essência do projeto: conduzir a poesia às ruas, ao povo, em sintonia com outras expressões culturais, como teatro, artes plásticas e música. Em vez de uma poesia fechada ou puramente formal, a proposta era de circulação e intervenção cultural, bem ao estilo das vanguardas modernistas em contexto regional. As demais alternativas escorregam ao inventar um movimento político, reduzir o grupo a folclore ou encaixá-lo em formas tradicionais e rígidas. Em concurso, esse tipo de questão gosta de trocar a história cultural concreta por rótulos bonitos, mas errados. Aqui, o ponto central é a poesia como presença urbana e comunicação direta.