Em meados do século XVIII, durante o governo do Marquês de Pombal (1750-1777), a Coroa Portuguesa procurou estender a posse sobre os territórios não ocupados no continente americano, garantir a soberania sobre as áreas consideradas ocupadas, incentivar o crescimento econômico e aumentar a arrecadação colonial. Nesse período, uma das principais ações da Coroa Portuguesa para garantir o controle do território amazônico consistiu
- A)na criação das primeiras missões jesuíticas no vale amazônico.
Errada, porque as missões jesuíticas não foram criadas nesse momento como principal ação pombalina, e a política de Pombal inclusive entrou em choque com a atuação dos jesuítas.
- B)na expansão da monocultura da borracha para as zonas de fronteira.
Errada, porque a borracha só ganhou grande importância muito depois, sobretudo no final do século XIX e início do XX, em outro ciclo econômico.
- C)na promoção de centros de mineração de ouro nas áreas das chapadas.
Errada, porque a mineração de ouro foi central em outras áreas coloniais, especialmente em Minas Gerais, e não como estratégia principal de controle da Amazônia.
- D)na edificação de fortificações em pontos estratégicos da bacia amazônica.
Certa, porque a Coroa fortaleceu o domínio amazônico por meio da instalação de fortificações e postos estratégicos para defesa e controle do território.
- E)na compra de terras nas serranias para a exploração da pecuária intensiva.
Errada, porque a pecuária intensiva e a compra de terras não resumem a política territorial da Amazônia no período pombalino, que priorizou ocupação e defesa militar.
Gabarito: D
No governo de Pombal, a Coroa Portuguesa queria transformar a ocupação da Amazônia em algo mais do que uma presença formal no mapa: era preciso marcar território, defender a fronteira e fazer a região render economicamente. Na prática, isso significava reforçar a soberania portuguesa sobre áreas distantes e disputadas, especialmente diante da pressão de outras potências europeias e da dificuldade de controle real no interior. A solução mais típica desse momento foi a lógica militar e estratégica: instalar fortificações em pontos-chave da bacia amazônica, como rios, entradas de navegação e áreas de passagem. Fortes e povoamentos ajudavam a garantir circulação, vigilância e defesa, funcionando quase como os “marcos de presença” do império no Norte colonial. É uma medida bem pombalina: controle territorial antes de qualquer coisa. Isso combina com o contexto do Tratado de Madri (1750) e com a política de ocupação efetiva, resumida na ideia do uti possidetis, isto é, a posse ligada ao uso e à ocupação concreta do espaço. Não bastava dizer que a terra era sua; era preciso mostrar isso no chão, com povoamento, administração e defesa. Na Amazônia, fortificar era uma forma direta de dizer: “esta área tem dono”. Por isso, a alternativa D está correta. As outras opções misturam períodos históricos diferentes ou atividades econômicas que não correspondem à estratégia pombalina para consolidar o domínio amazônico.