“Na última década, a Amazônia tem sido foco de atenção mundial devido à sua riqueza mineral, à sua grande biodiversidade de espécies florestais e também pelos efeitos que o desmatamento em grande escala pode provocar no clima regional e global.” (FISH, Gilberto et al. Uma revisão geral sobre o clima da Amazônia. CTA. São José dos Campos. 1998.) São efeitos que o desmatamento em grande escala pode provocar no clima regional
- A)a diminuição do calor absorvido pela superfície, a redução da evaporação e o aumento da convergência da umidade.
Errada, porque a redução da evaporação não aumenta a convergência de umidade; em geral, ocorre o contrário, com menos vapor disponível para formar chuva.
- B)a diminuição da temperatura a nível sazonal, o aumento das temperaturas máximas e maiores amplitudes térmicas anuais.
Errada, porque o desmatamento não tende a diminuir a temperatura sazonal, e sim a elevar as temperaturas máximas e alterar o regime térmico e de chuvas.
- C)o aumento da temperatura do ar próximo à superfície, o aumento da evapotranspiração e a redução da amplitude térmica anual.
Errada, porque a evapotranspiração não aumenta com o desmatamento; ela diminui, e a amplitude térmica anual tende a ser afetada pelo ressecamento e pela perda de cobertura florestal.
- D)a maior variação sazonal da temperatura, o maior aquecimento na estação seca e a menor transferência de ar frio das latitudes extratropicais.
Errada, porque mistura efeitos que não são os mais característicos do desmatamento amazônico, especialmente a ideia de maior transferência de ar frio de latitudes extratropicais.
- E)o aumento de temperatura do ar próximo à superfície, a redução nos totais de evaporação e precipitação e o prolongamento da estação seca.
Certa, porque o desmatamento reduz a evaporação e a precipitação, aquece o ar próximo à superfície e prolonga a estação seca.
Gabarito: E
O desmatamento em grande escala na Amazônia bagunça o funcionamento do "ar-condicionado" natural da floresta. Quando a cobertura vegetal diminui, cai a evapotranspiração, que é a liberação de vapor d'água pelas plantas e pelo solo. Com menos umidade devolvida à atmosfera, a chuva tende a diminuir e a estação seca pode ficar mais longa e mais dura. Além disso, a superfície aquece mais, porque perde a proteção da floresta e passa a absorver e reter calor de outro jeito. Na prática, isso afeta o clima regional: sobe a temperatura do ar perto da superfície, caem os totais de evaporação e precipitação e a seca se prolonga. É exatamente o tipo de mudança que a alternativa correta descreve. Em linguagem simples: derrubou a floresta, enfraqueceu a bomba d'água da Amazônia. Esse raciocínio é clássico na climatologia da região e aparece em estudos sobre a interação floresta-atmosfera, como o texto de Fish et al. A ideia central é que a floresta não é só resultado do clima, ela também ajuda a produzi-lo e mantê-lo. Por isso, quando ela some, o efeito não é neutro: o clima fica mais quente e mais seco.