“A fronteira é uma invenção dos homens”. As fronteiras delimitam os territórios e foram instrumentalizadas pelo poder político como linhas de ruptura, principalmente a partir da constituição dos Estados-nação na Europa Ocidental. A partir da 2ª Guerra Mundial, as fronteiras sofreram significativas mudanças. Sobre essas mudanças, analise as afirmativas a seguir. I. A ideia de fronteira e suas representações evoluiu a partir da intensificação dos fluxos eletrônicos. II. A “cortina de ferro”, a linha de ruptura que separou dois blocos, foi definida a partir de doutrinas econômicas e ideológicas opostas. III. O conceito de fronteira como linha de ruptura foi abalado à medida que se desenvolveu a construção da unidade europeia. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa sustenta que apenas a afirmativa I está correta, isto é, que a noção de fronteira passou a ser redefinida com a intensificação dos fluxos eletrônicos e das redes de informação. Essa ideia procede, porque a globalização e as tecnologias de comunicação enfraqueceram a fronteira como barreira absoluta e ampliaram conexões transnacionais. O problema é que as afirmativas II e III também descrevem mudanças históricas reais do pós-Segunda Guerra, então a proposição fica incompleta.
- B)I e II, apenas.
Aqui se afirma que estão corretas as afirmativas I e II, deixando de fora a III. De fato, I explica a transformação da fronteira pela intensificação dos fluxos eletrônicos, e II remete à Guerra Fria, em que a "cortina de ferro" separou blocos antagônicos do ponto de vista ideológico e econômico. Contudo, a integração europeia também abalou a fronteira como linha rígida de ruptura, de modo que a alternativa não contempla todo o conjunto correto.
- C)I e III, apenas.
Esta opção reúne I e III: a evolução da fronteira com os fluxos eletrônicos e o enfraquecimento da fronteira rígida com a construção da unidade europeia. As duas ideias são coerentes com a reconfiguração territorial do pós-guerra, sobretudo pela globalização e pela integração regional. O erro está em excluir a afirmativa II, porque a divisão da Europa em blocos na Guerra Fria foi, sim, marcada por doutrinas econômicas e ideológicas opostas.
- D)II e III, apenas.
A alternativa considera corretas II e III, ou seja, reconhece a "cortina de ferro" como expressão da divisão entre capitalismo e socialismo, e a integração europeia como fator de relativização das fronteiras. Esse raciocínio está bem fundamentado no contexto da Guerra Fria e da União Europeia. Ainda assim, ela falha ao ignorar a afirmativa I, pois os fluxos eletrônicos e informacionais também transformaram a ideia de fronteira nas relações internacionais contemporâneas.
- E)I, II e III.
Esta é a alternativa correta porque as três afirmativas descrevem mudanças relevantes nas fronteiras depois da Segunda Guerra Mundial. A I é verdadeira ao relacionar a fronteira à intensificação dos fluxos eletrônicos, que reduziram a centralidade da barreira territorial; a II é verdadeira porque a "cortina de ferro" expressou a oposição entre blocos capitalista e socialista; e a III é verdadeira porque a integração europeia diminuiu a fronteira como linha de ruptura rígida. Em conjunto, elas mostram que a fronteira deixou de ser apenas um limite fixo e passou a ser mais permeável, funcional e politicamente reconfigurada.
Gabarito: E
Quando a Geografia Política fala em fronteira, ela não está tratando só de uma linha no mapa. Fronteira é também relação de poder: pode separar, controlar, filtrar fluxos e até simbolizar disputas entre modelos de sociedade. Depois da Segunda Guerra Mundial, esse tema mudou bastante, porque o mundo entrou em uma fase de Guerra Fria, integração regional e avanços tecnológicos que embaralharam a ideia de limite rígido. A afirmativa I está correta porque a intensificação dos fluxos eletrônicos, das comunicações e da circulação de informações alterou a forma como se pensa o território. A fronteira deixou de ser apenas um traço físico e passou a ser vista também como um ponto de controle de fluxos, o que é muito discutido na Geografia contemporânea. A afirmativa II também está correta. A chamada "cortina de ferro" foi a divisão simbólica e política entre o bloco capitalista e o bloco socialista, marcada por doutrinas econômicas e ideológicas opostas. Ou seja, não foi uma fronteira natural ou neutra, mas um limite construído pela disputa geopolítica da Guerra Fria. A afirmativa III igualmente está correta, porque a integração europeia, com instituições e acordos como a Comunidade Europeia e depois a União Europeia, enfraqueceu a fronteira como linha de ruptura absoluta entre Estados. A cooperação econômica e a livre circulação em várias áreas reduziram o peso dessa separação clássica. Por isso, o gabarito é E, pois as três afirmativas estão de acordo com a evolução do conceito de fronteira no pós-Segunda Guerra.