Em 2019, três meses após o desastre em Brumadinho (Minas Gerais), ocorreu o rompimento de duas barragens de decantação em uma área de extração de cassiterita na cidade de Machadinho d’Oeste, no Vale do Jamari, em Rondônia. A cassiterita é o principal minério do estanho, elemento químico usado em ligas metálicas pela indústria. São impactos socioambientais decorrentes da exploração de cassiterita em Rondônia, EXCETO:
- A)processos erosivos, causados por desmatamento e escavações;
Correta, porque desmatamento e escavações favorecem processos erosivos em áreas de mineração.
- B)alteração geológica, pela abertura de lavras subterrâneas, dada a profundidade dos depósitos;
Errada, porque a exploração de cassiterita em Rondônia não é marcada por lavras subterrâneas profundas como regra, e a alternativa descreve um tipo de extração inadequado ao caso.
- C)degradação da paisagem e alteração do ecossistema local, com redução da floresta e afugentamento dos animais;
Correta, pois a mineração degrada a paisagem, reduz a cobertura florestal e afugenta a fauna local.
- D)abertura de estradas, construção de acampamentos e de moradias perto das minas;
Correta, já que a atividade mineradora costuma exigir estradas, alojamentos e moradias próximas às minas.
- E)poluição e assoreamento de rios e igarapés pelo despejo de lama de rejeito de mineração.
Correta, porque rejeitos de mineração podem poluir e assorear rios e igarapés.
Gabarito: B
A exploração mineral na Amazônia costuma deixar uma marca bem visível: abre clareiras, movimenta terra, altera cursos d'água e pressiona a vida local. Em Rondônia, a extração de cassiterita, como em outras atividades de mineração, costuma provocar desmatamento, erosão, assoreamento de rios, poeira, lama de rejeito e mudanças no uso do solo. É aquele pacote clássico: a paisagem muda rápido e o ambiente sente a conta depois. Além do impacto físico, a mineração mexe com a organização do território. Surgem estradas, alojamentos, acampamentos e até novas moradias perto das áreas de lavra, o que aumenta pressão sobre serviços públicos e sobre os ecossistemas locais. Também é comum o afugentamento da fauna e a fragmentação da floresta, o que agrava a degradação ambiental. A cassiterita é o principal minério do estanho e sua exploração em Rondônia se relaciona, em geral, a depósitos superficiais ou de menor complexidade de extração, com forte alteração da cobertura vegetal e do solo. Por isso, impactos como processos erosivos, poluição hídrica e degradação da paisagem fazem sentido. Em direito ambiental, a lógica é a da prevenção e da reparação do dano, bem como da exigência de controle da atividade potencialmente poluidora, conforme a Constituição Federal, art. 225, e a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/1981). O gabarito é a letra B porque ela fala em lavras subterrâneas em função da profundidade dos depósitos, o que não corresponde ao padrão esperado para essa exploração na região e ainda inventa uma característica geológica que não é a marca dos impactos descritos no enunciado.