A atual crise hídrica brasileira é considerada a pior em 90 anos. Diante da redução do nível dos reservatórios, órgãos técnicos do governo alertam sobre a possibilidade de faltar energia no Brasil entre outubro e novembro de 2021. A crise hidrelétrica gera um risco maior para a economia do país do que o avanço da variante delta do coronavírus. Adaptado de https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/08 A respeito de como a crise elétrica pode ameaçar a retomada da economia brasileira, analise as afirmativas a seguir. I. O encarecimento da energia elétrica por causa da crise hídrica e a adoção de bandeiras tarifárias afeta a população e alimenta um cenário deflacionário e recessivo. II. O setor produtivo repassa o aumento dos custos de produção para os consumidores e, consequentemente, bens e serviços ficam mais caros, impulsionando a inflação. III. A possibilidade de racionamento ou de apagão ameaça a capacidade produtiva, sobretudo nos últimos meses de 2021, quando a atividade econômica tenderia a crescer com o avanço da vacinação no país. Está correto o que se afirma em
- A)I, somente.
A alternativa afirma que apenas a afirmativa I estaria correta, isto é, que a energia mais cara e as bandeiras tarifárias conduziriam a um quadro deflacionário e recessivo. O raciocínio falha no ponto central: choque de energia encarece a produção e o consumo, pressionando a inflação, não reduzindo o nível geral de preços. Até pode haver efeito recessivo, mas a referência à deflação torna a assertiva incorreta.
- B)II, somente.
Esta opção sustenta que somente a afirmativa II está certa, e ela realmente descreve um mecanismo econômico clássico: aumento do custo de produção, repasse ao preço final e pressão inflacionária. O problema é que o enunciado também apresenta a afirmativa III como verdadeira, porque racionamento ou apagão afetam diretamente a capacidade produtiva e a retomada da atividade. Assim, a resposta fica incompleta.
- C)I e II, somente.
A alternativa reúne I e II como corretas. A II procede, pois o setor produtivo costuma repassar custos mais altos de energia para bens e serviços, elevando a inflação, mas a I erra ao falar em deflação, quando o encarecimento da energia tende justamente a pressionar preços para cima. Além disso, a III também é verdadeira, então o conjunto indicado não corresponde ao enunciado.
- D)II e III, somente.
Esta é a combinação correta porque a afirmativa II identifica o repasse do aumento de custos para os preços, gerando inflação, e a III aponta o risco de racionamento ou apagão sobre a capacidade produtiva e a recuperação econômica. Em 2021, isso era especialmente relevante com a vacinação ampliando a expectativa de retomada da atividade. Como a I está errada ao associar esse choque a deflação, ficam corretas apenas II e III.
- E)I, II e III.
A opção admite que I, II e III estariam corretas. Isso não se sustenta porque a I traz um erro conceitual: energia mais cara e bandeiras tarifárias pressionam a inflação de custos, em vez de produzir deflação, embora as afirmativas II e III estejam adequadas. Por incluir uma proposição falsa, a alternativa não pode ser a resposta.
Gabarito: D
A crise hídrica afeta a matriz elétrica brasileira porque a maior parte da energia do país vem de hidrelétricas. Quando os reservatórios baixam, o governo precisa acionar usinas mais caras e repassar esse custo para a conta de luz por meio das bandeiras tarifárias. Isso pesa no bolso das famílias e também no custo de produção das empresas. Na economia, energia mais cara costuma pressionar preços, não derrubá-los. Por isso, a afirmativa I erra ao falar em cenário deflacionário e recessivo como efeito direto do encarecimento da energia. O mais esperado, nesse caso, é pressão inflacionária, porque tudo fica mais caro ao longo da cadeia. A afirmativa II está correta: o setor produtivo tende a repassar custos maiores para bens e serviços, o que encarece a economia e alimenta a inflação. Já a III também está correta, porque risco de racionamento ou apagão afeta a capacidade produtiva, atrapalha indústria, comércio e serviços, e isso é especialmente sensível num momento de retomada econômica. Então o gabarito é D: apenas II e III. Em provas de Geografia econômica, a FGV gosta muito dessa relação entre matriz energética, custo de produção e efeitos macroeconômicos. Energia cara é problema no boleto e no PIB ao mesmo tempo.