Considere o texto sobre uma das correntes do pensamento geográfico. Trata-se de uma geografia que utiliza a teoria marxista como fundamental para a análise científica. Com ela, pretende-se construir uma sociedade mais equitativa, sem pobreza nem sofrimento, trabalhar para a mudança social e criar uma organização, com uma ação efetiva, dentro da geografia acadêmica. Esta geografia analisa principalmente as relações estruturais dos problemas sociais. Uma das noções básicas é a de que o espaço não pode ser percebido independentemente do objeto de estudo. A geografia quantitativa, pelo contrário, considerava o espaço como uma variável explicativa. Teoricamente o maior contributo deve-se a David Harvey, que recusa igualmente o idealismo, o positivismo e a fenomenologia, porque essas teorias ou se centram sobre o indivíduo, não considerando as limitações à liberdade individual por parte das estruturas sociais, ou esquecem o papel das elites na manipulação das estruturas sociais. FERREIRA, C.; SIMÕES, N. A Evolução do Pensamento Geográfico. Lisboa: Gradiva, 1986, p. 100. Adaptado. No texto, são apresentadas as características próprias da Geografia:
- A)Radical
Correta, porque descreve a Geografia Radical, de base marxista, crítica às desigualdades e voltada à transformação social.
- B)Teorética
Errada, porque a Geografia Teorética-Quantitativa valoriza modelos, mensuração e espaço como variável explicativa, não a crítica social marxista.
- C)Humanista
Errada, porque a Geografia Humanista privilegia a experiência subjetiva, a percepção e o lugar vivido, não a análise estrutural das desigualdades.
- D)Pragmática
Errada, porque a Geografia Pragmática tem foco aplicado e funcional, sem o compromisso crítico e transformador descrito no texto.
Gabarito: A
A questão descreve a Geografia Radical, também chamada de Geografia Crítica em muitos manuais. Ela surge como reação às correntes mais descritivas e neutras, principalmente contra a ideia de que o espaço seria apenas um dado técnico ou uma variável matemática. Aqui, o espaço passa a ser entendido como produto das relações sociais, econômicas e de poder. Ou seja: não existe espaço “ingênuo”, ele carrega conflito, desigualdade e disputa. O texto destaca exatamente esse olhar marxista, voltado para a crítica das estruturas sociais e para a transformação da realidade. Por isso aparecem ideias como mudança social, combate à pobreza, análise das relações estruturais e crítica ao papel das elites. Esse tipo de abordagem é muito associado à renovação crítica da Geografia na década de 1970. David Harvey é o nome mais lembrado nessa corrente porque trabalhou a geografia a partir do materialismo histórico e da crítica ao capitalismo. Em vez de tratar o espaço como algo neutro, ele o relaciona com a produção social e com as contradições do sistema econômico. Então, quando o texto diz que a geografia analisa as relações estruturais dos problemas sociais e rejeita o positivismo, está apontando diretamente para essa linha crítica. Por isso o gabarito é a alternativa A, Radical. As demais opções representam outras tradições: a teorética aposta em modelos e quantificação, a humanista foca experiência e percepção, e a pragmática tem viés mais utilitário e aplicado. Aqui, o coração da questão é a crítica social com base marxista, bem no estilo da Geografia Radical.