"O sensoriamento remoto orbital está em constante evolução e as aplicações são influenciadas pela disponibilidade de novos sensores orbitais, pelo desenvolvimento de algoritmos bio-ópticos e de técnicas para o processamento das imagens e dados in situ”. (BARBOSA, Cláudio C. F.; NOVO, Evlyn M. L. M.; MARTINS, Vitor S. Introdução ao Sensoriamento Remoto de Sistemas Aquáticos: princípios e aplicações. São José dos Campos: INPE, 2019. p. 153). A partir do fragmento lido, marque a opção INCORRETA quanto à utilização do sensoriamento remoto como ferramenta para o estudo e compreensão dos sistemas aquáticos.
- A)As aplicações do sensoriamento remoto apresentam limitações, uma vez que as medidas obtidas são derivadas de modelos que dependem da disponibilidade de dados in situ.
Está correta, porque as estimativas por sensoriamento remoto normalmente dependem de modelos calibrados com dados in situ.
- B)O sensoriamento remoto óptico fornece uma alternativa para uma observação contínua da superfície terrestre, permitindo diversas aplicações, como a detecção, o mapeamento e a caracterização bio-óptica dos sistemas aquáticos.
Está correta, pois o sensoriamento remoto óptico permite observação frequente da superfície e aplicações como detecção, mapeamento e caracterização bio-óptica.
- C)O uso do sensoriamento remoto para estudo e monitoramento de sistemas aquáticos continentais pode ser conduzido somente de forma quantitativa, sendo a principal demanda a extração de informações quanto aos processos físicos, químicos e bio-ópticos que possam estar ocorrendo no meio aquático.
Está errada, porque o monitoramento por sensoriamento remoto não é somente quantitativo e também exige integração com dados de campo e interpretação dos processos envolvidos.
- D)As aplicações do sensoriamento remoto (SR) no estudo de sistemas aquáticos utilizam, majoritariamente, sensores passivos e a radiação solar da região espectral do visível e do infravermelho próximo, sendo, por isto, denominado de SR óptico.
Está correta, já que nos sistemas aquáticos predominam sensores passivos que usam a radiação solar nas faixas do visível e do infravermelho próximo.
- E)A interpretação correta e a extração de informações quantitativas com o uso do sensoriamento remoto requerem conhecimentos necessários sobre os efeitos causados pela atmosfera e sobre os conceitos de radiometria e de transferência radiativa na atmosfera e na água.
Está correta, porque a interpretação e a estimativa quantitativa dependem de conhecimentos sobre atmosfera, radiometria e transferência radiativa.
Gabarito: C
O sensoriamento remoto, no estudo de sistemas aquáticos, é uma ferramenta poderosa porque permite observar grandes áreas com frequência e rapidez, algo muito útil quando o ambiente muda o tempo todo. Em geral, ele trabalha com sensores passivos, que captam a energia solar refletida pela água e pelos componentes presentes nela, como sedimentos, algas e matéria orgânica. Por isso, ele ajuda no mapeamento, na detecção de mudanças e na caracterização bio-óptica de rios, lagos, represas e até áreas costeiras. Mas tem um detalhe importante: a imagem sozinha nem sempre “fala a verdade completa”. Em muitos casos, você precisa de dados de campo, os famosos dados in situ, para calibrar, validar e melhorar os modelos que transformam a resposta do sensor em informação útil. Também é essencial entender atmosfera, radiometria e transferência radiativa, porque a luz sofre interferências antes de chegar ao sensor. É exatamente por isso que a alternativa C está incorreta. Ela erra ao afirmar que o estudo e monitoramento de sistemas aquáticos continentais podem ser conduzidos somente de forma quantitativa. Na prática, o sensoriamento remoto pode apoiar análises quantitativas e qualitativas, além de depender da integração com dados de campo e de interpretação dos processos físicos, químicos e bio-ópticos. Ou seja, não é uma ferramenta de “uma nota só”; ela trabalha em conjunto com outras informações. Então, a banca quis ver se você percebeu a pegadinha: o sensoriamento remoto é útil, mas não é autossuficiente. Sem dados auxiliares e sem boa base teórica, a imagem pode até parecer bonita, mas a interpretação fica capenga.