Leia o excerto a seguir. A coesão da Geografia encontraria seu ponto de partida na relação homem-natureza como unidade histórica, iluminando o papel do trabalho como definidor da atividade que nasce da práxis. (CARLOS, 2023, p. 20.) Considerando a proposição anterior, a relação homem-natureza, nessa perspectiva, se revela como:
- A)Produtora do mundo e do homem.
Certa: expressa a ideia de que o trabalho humano transforma a natureza e, ao mesmo tempo, produz a própria sociedade e o sujeito histórico.
- B)Reprodutora do mercado de trabalho.
Errada: reduz a relação homem-natureza a uma lógica econômica e restrita ao mercado de trabalho, o que não é o sentido do texto.
- C)Necessária à criação de parques naturais.
Errada: fala de preservação ambiental, mas o excerto trata da produção histórica do espaço pela práxis humana.
- D)Responsável pelo cuidado com a natureza.
Errada: embora o cuidado ambiental seja importante, isso não resume a relação homem-natureza apresentada na perspectiva crítica do enunciado.
Gabarito: A
A Geografia, especialmente na leitura crítica inspirada em autores como Ruy Moreira e Milton Santos, não fica presa só à descrição de paisagens. Ela busca entender a relação homem-natureza como uma unidade histórica, isto é, algo que vai mudando conforme o trabalho humano transforma o espaço e, ao mesmo tempo, transforma a própria sociedade. Em outras palavras: o ser humano não apenas vive na natureza, ele a produz socialmente e também se produz nesse processo. Quando o excerto fala em trabalho como atividade que nasce da práxis, a ideia central é que o trabalho mediado pela ação humana cria território, paisagem, espaço geográfico e formas de vida. Por isso, a relação homem-natureza não é passiva nem só de conservação: ela é ativa, histórica e produtiva. O espaço não cai do céu, ele é feito no cotidiano, com técnica, economia, cultura e conflito. É por isso que o gabarito é a letra A. A relação homem-natureza, nessa perspectiva, aparece como produtora do mundo e do homem: o homem transforma a natureza e, nesse mesmo movimento, se transforma como sujeito histórico. A Geografia crítica gosta muito dessa conversa porque ela mostra que natureza e sociedade não são caixas separadas, mas partes de um mesmo processo. Se a banca trouxe esse trecho, ela quer que você reconheça exatamente essa visão dialética. Nada de pensar só em preservação ambiental ou em mercado de trabalho: aqui o foco é a produção do espaço e da própria humanidade pela prática social.