Leia o fragmento de texto a seguir. Muitos dos produtos que habitam as bem-dispostas prateleiras dos supermercados, vieram sabe-se lá de onde: Taiwan, Cingapura, Itália, Portugal, China. Hoje, ainda que não para todos, é possível comprar coisas pela TV ou, ainda, nos shoppings virtuais que estão na Internet. Ainda assim, convivem na mesma cidade, a feira de domingo em que galinhas são pesadas à mão, os supermercados que têm fibra de leitura ótica, os camelôs que andam de porta em porta e os produtos que podemos adquirir pelo correio. Em uma diversidade assim, pensar o espaço tornou a tarefa complexa aos professores de Geografia. (Sousa Neto, 2008, p. 48.) O autor no fragmento chama atenção para o processo de produção do espaço na atualidade, que pode ser caracterizado por colocar em contato, ainda que de modo desigual
- A)a cidadania e o multiculturalismo, com destaque para a valorização dos territórios.
Errada, porque o texto não trata de cidadania nem de multiculturalismo, mas da articulação econômica e espacial entre escalas distintas.
- B)o local e o global, com destaque para as interrelações entre um e outro, em escala mundial.
Certa, pois o fragmento mostra a convivência entre práticas locais e fluxos globais, evidenciando interrelações desiguais em escala mundial.
- C)os diferentes modos de vida, que são constituídos a partir da influência do meio sobre as culturas.
Errada, porque não há discussão sobre influência do meio natural sobre culturas, e sim sobre circulação de mercadorias e redes de consumo.
- D)as diferentes paisagens e economias, que se situam no contexto atual, em um processo crescente de diferenciação.
Errada, porque o foco não é a diferenciação de paisagens e economias em si, mas a conexão entre o local e o global no espaço contemporâneo.
Gabarito: B
O fragmento descreve bem a geografia econômica na globalização: mercadorias que vêm de vários países, formas antigas e modernas de comércio convivendo no mesmo espaço e circulação intensa de informações, capitais e produtos. Em outras palavras, o espaço urbano e econômico deixa de ser “fechado” e passa a funcionar em rede, conectando o bairro, a cidade, o país e o mundo ao mesmo tempo. Esse é exatamente o ponto central do enunciado: colocar em contato, ainda que de modo desigual, o local e o global. Você vê isso quando um supermercado vende produtos importados, enquanto na mesma cidade ainda existe a feira de rua e o comércio informal. Não é contradição: é a cara da globalização, que integra espaços diferentes sem apagar as desigualdades entre eles. Na Geografia, esse processo costuma ser associado à mundialização da economia, à expansão das redes técnicas e à intensificação dos fluxos. Autores como Milton Santos ajudam a entender isso ao mostrar que o espaço geográfico é marcado por objetos e ações cada vez mais articulados por redes, mas distribuídos de forma desigual. Por isso, o gabarito é a letra B. O texto não fala só de comércio ou de paisagens, mas da conexão entre escalas e da convivência entre práticas locais e dinâmicas globais, uma marca típica da produção do espaço na atualidade.