A história da Geografia tem sido uma história dos geógrafos. Há os que a fizeram e fazem no rumo da vida e da felicidade do homem. E há os que a fazem deslocando-a na direção da vida e da felicidade dos que o dominam. É, sobretudo, na história recente da humanidade, que esse antagonismo mais fortemente aparece. (Ruy Moreira; in O que é Geografia. 2010. 2ª ed.) De acordo com Moreira (2010, pág. 8), provavelmente foi Estrabão (64 a.C. – 24 d.C.) o criador da geografia. Porém, se pensarmos apenas na geografia moderna, podemos afirmar que sua origem se deu no século XIX, principalmente com o florescimento das universidades e das sociedades de geografia e os trabalhos de Humboldt e Ratzel. A partir de então diversas correntes de pensamento têm se sucedido como, por exemplo, geografia moderna; tradicional; quantitativa/teórica/nova geografia; crítica/radical; e, humanista. Sobre a corrente de pensamento tradicional, podemos afirmar que oseu fundamento está no(a):
- A)Marxismo.
Errada, porque o marxismo fundamenta a geografia crítica, não a geografia tradicional.
- B)Positivismo.
Certa, pois a geografia tradicional foi fortemente influenciada pelo positivismo, com foco em descrição, objetividade e busca de leis gerais.
- C)Possibilismo.
Errada, porque o possibilismo se relaciona mais com a geografia de Vidal de La Blache e com a valorização da ação humana sobre o meio, não sendo a base principal da corrente tradicional.
- D)Geografia crítica.
Errada, porque a geografia crítica surge como reação à geografia tradicional, especialmente a partir de influências marxistas.
Gabarito: B
A chamada geografia tradicional nasceu no século XIX, junto com a consolidação da Geografia como disciplina acadêmica nas universidades europeias. Nesse momento, a disciplina buscava se firmar como ciência e, para isso, adotou uma postura muito influenciada pelo pensamento científico da época: observação, descrição, classificação e busca de leis gerais. Parece até um manual de organização do mundo: primeiro descrever, depois explicar, sempre com pretensão de neutralidade. É justamente aí que entra o positivismo. Essa corrente valorizava a objetividade, a observação empírica e a ideia de que o conhecimento científico deveria revelar regularidades da realidade. Na Geografia tradicional, isso se traduziu em uma visão bastante descritiva e sistematizadora, com foco no estudo da paisagem, da região e da relação homem-meio, sem grande espaço para crítica social ou para análise das desigualdades. Por isso, o gabarito é a letra B. A geografia tradicional tem sua base no positivismo, que influenciou fortemente autores como Ratzel e, em parte, a própria constituição da Geografia como ciência moderna. Se a banca fala em tradição, século XIX e fundamentação teórica clássica, pense logo nessa matriz positivista. Já as correntes marxistas, críticas e humanistas aparecem bem depois, questionando justamente essa neutralidade da geografia tradicional. Então, aqui a lógica é simples: a geografia tradicional quer ordenar o mundo; o positivismo fornece a lente metodológica para isso.