Setembro passou, com outubro e novembro Já tamo em dezembro. Meu Deus, que é de nós? Assim fala o pobre do seco Nordeste, Com medo da peste, Da fome feroz. [...] Sem chuva na terra descamba janeiro, Depois fevereiro, E o mesmo verão. Entonce o nortista, pensando consigo, Diz: isso é castigo! Não chove mais não! [...] Agora pensando ele segue outra tria, Chamando a famia Começa a dizer : Eu vendo meu burro, meu jegue e o cavalo, Nós vamo a São Paulo Viver ou morrer. [...] (Patativa do Assaré. Adaptado.) A migração corresponde aos deslocamentos de pessoas e populações na superfície terrestre. A música escrita por Patativa do Assaré, e que fez muito sucesso na voz de Luiz Gonzaga, retrata, de forma poética e dramática, o tema da migração e as justificativas para levar uma pessoa ou grupo de pessoas a migrarem. Qual tipo de migração NÃO é comumente relacionada a eventos narrados na música?
- A)Êxodo rural.
Correta como ideia associada ao texto, porque a saída do Nordeste para São Paulo lembra o êxodo rural, com abandono do campo por falta de condições de vida.
- B)Migração interna.
Correta, pois o deslocamento ocorre dentro do território brasileiro, caracterizando migração interna.
- C)Migração forçada.
Correta, porque a seca e a fome funcionam como fatores de expulsão, tornando a migração uma saída imposta pela necessidade.
- D)Migração pendular ou diária.
Errada, porque migração pendular ou diária é o movimento de ida e volta frequente, e não a mudança definitiva motivada por seca e sobrevivência.
Gabarito: D
A migração é o deslocamento de pessoas de um lugar para outro, podendo ocorrer por motivos econômicos, climáticos, políticos, familiares ou até de sobrevivência. No Nordeste, a seca aparece como um fator clássico de expulsão populacional: quando falta água, falta produção, falta trabalho e muita gente acaba saindo em busca de condições melhores. No texto de Patativa do Assaré, o cenário é justamente esse: seca prolongada, fome, medo e decisão de partir. Isso remete a migração interna, porque o deslocamento ocorre dentro do próprio país, e também a migração forçada, já que a pessoa não sai por lazer, mas por necessidade. O quadro é bem típico do êxodo rural e das migrações sazonais do campo para cidades, especialmente em épocas de crise. A pegadinha da questão está em misturar esses tipos com uma outra forma de deslocamento que é bem diferente. Migração pendular ou diária é aquele vai e volta rotineiro, como o de quem mora em uma cidade e trabalha ou estuda em outra, geralmente sem mudança definitiva de residência. Por isso, o gabarito é a letra D. A música descreve um deslocamento motivado por seca e sobrevivência, e não um movimento cotidiano de ida e volta.