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Geografia · CONSULPLAN · 2022

Questão comentada de Geografia

Setembro passou, com outubro e novembro á tamo em dezembro. Meu Deus, que é de nós? Assim fala o pobre do seco Nordeste, Com medo da peste, Da fome feroz. [...] Sem chuva na terra descamba janeiro, Depois fevereiro, E o mesmo verão. Entonce o nortista, pensando consigo, Diz: isso é castigo! Não chove mais não! [...] Agora pensando ele segue outra tria, Chamando a famia Começa a dizer Eu vendo meu burro, meu jegue e o cavalo, Nós vamo a São Paulo Viver ou morrer. [...] (Patativa do Assaré. Adaptado.) A migração corresponde aos deslocamentos de pessoas e populações na superfície terrestre. A música escrita por Patativa do Assaré, e que fez muito sucesso na voz de Luiz Gonzaga, retrata, de forma poética e dramática, o tema da migração e as justificativas para levar uma pessoa ou grupo de pessoas a migrarem. Qual tipo de migração NÃO é comumente relacionada a eventos narrados na música?

Gabarito: D

A questão explora migrações, isto é, deslocamentos de pessoas de um lugar para outro, seja dentro do mesmo país ou entre países. No poema de Patativa do Assaré, a seca, a fome e a falta de condições de vida empurram a população do Nordeste para outra região, o que lembra um movimento clássico da Geografia brasileira: a saída do campo em direção a áreas mais desenvolvidas, muitas vezes em caráter interno e até forçado pelas dificuldades. Esse tipo de situação aparece muito em concursos porque a banca gosta de misturar motivo da migração com tipo de migração. Quando o texto fala de pobreza, seca e necessidade de sobrevivência, o foco está em deslocamentos provocados por fatores sociais e naturais, não em deslocamentos rotineiros do dia a dia. Por isso, o gabarito é a letra D. Migração pendular ou diária é o vai e vem regular entre casa e trabalho ou estudo, como alguém que mora em uma cidade vizinha e se desloca todos os dias. Isso não combina com a história narrada na música, que trata de mudança de vida, saída definitiva e busca de sobrevivência. Em resumo: a letra da canção remete a êxodo rural, migração interna e migração forçada, mas não a deslocamento cotidiano. É aquele clássico da Geografia: uma coisa é mudar de endereço por necessidade, outra é pegar o ônibus todo dia e voltar para casa no fim da tarde.

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